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domingo, 17 de setembro de 2017

54

Cerca de seis meses atrás falei que não tinha intenção de abandonar o blog.
Abandonei. Que piada.
O pior de tudo é que é sempre sem querer. Tenho sempre o hábito de pensar em coisas pra escrever a respeito, sem nunca de fato escrever. É irritante. Um péssimo hábito.


O que me inspirou, de certa forma, a escrever hoje é que é exatamente hoje que meu tio completaria 54 anos se estivesse vivo. Curiosamente, em maio eu já tinha planos de escrever  em maio deste ano completou-se 10 anos da morte dele. Se quatro meses atrás eu já tinha planos de escrever sobre (e não escrevi), o que mudou desde então? Nada, na verdade; mas nos últimos tempos tento parar de pensar em como minha vida seria ou teria sido se ele estivesse vivo, pensando na realidade no tipo de pessoa que eu sou e que me tornei, e o que ele se sentiria em relação a isso. O que ele pensaria de uma pessoa tão procrastinadora e que abandonou tudo aquilo que antes a caracterizava e que fazia parte de si. Uma pessoa tão artística, mas que abandonou toda sua arte  seus desenhos, sua escrita.
No fim não sei qual dos dois pensamentos é mais tóxico, apesar de que com os segundos eu poderia, em tese, mudar  e digo em tese porque, convenhamos, eu tenho consciência todos os dias de tudo que deixei pra trás, só não consigo mudar isso. Não sei o que me motiva, o que me inspira. Como mudar isso? Como mudar isso, quando nem sei qual é o problema?
Talvez pelo menos um primeiro passo tenha sido dado agora...

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Pokémon e memórias entrelaçadas

Demorei muuuuuuuuito pra finalmente falar sobre Pokémon Go, mas finalmente resolvi. Não vou dar dicas de jogo, nem nada parecido, só vou falar mesmo o quanto eu estou feliz por isso existir.
Eu não lembro muita coisa da minha infância, principalmente do que é chamado de primeira e segunda infância (de 0 a 3, e então de 3 a 6), mas das memórias que tenho, grande parte delas envolve Pokémon.
Quando Pokémon estreou no Brasil eu tinha 5 anos e, obviamente não sei quando exatamente foi, mas sei que foi em 1999. Eu estudava de tarde, de 13h até 17h30, e lembro que ele passava no Cartoon Network às 17h, então eu não podia ver. Entretanto o mesmo episódio repetia às 22h, aí eu fazia questão de assistir. Brigava com tudo e com todos, permanecia acordada, justamente pra poder assistir.
Justamente nesse ano meu avô morreu, e não sei se por sermos muito próximos ou por ser meu primeiro contato com a morte (no caso a primeira vez que um ente querido morreu), passei a frequentar uma psicóloga. Meus tios e minha avó reclamavam com ela e tentavam fazer com que ela me convencesse a dormir mais cedo, mas eu nunca cedi. Tenho uma lembrança bem nítida minha dizendo: tá bom, eu vou dormir, mas assim que acabar Pokémon.
Naquela época eu tinha um bichinho de pelúcia de no máximo uns 20 cm do Pikachu, que eu amava. Eu também sempre tive muitos bichinhos de pelúcia, mesmo que eu sempre tivesse sido muito alérgica (eles não ficavam necessariamente no meu quarto, eu só os tinha mesmo), então eu arrumava uma mochila e colocava vários dentro dela, encaixava o Pikachu no meu ombro, colocava um boné e saía na minha jornada, caminhando pelo lote e pela casa da minha avó.
Eu tenho um primo quatro anos mais velho, e quando lançou o álbum de figurinhas de Pokémon, claro que ele tinha. Não sei porque eu não pude ter, mas por anos eu quis fazer vários álbuns e nunca me deixaram  o primeiro álbum que fui fazer foi aos 11 anos, o de Harry Potter e o Cálice de Fogo. Por algum motivo que também não sei, ele tinha dois: um completo e um incompleto, e eu fiquei tããão feliz quando ele me deu o incompleto! Quando ele me deu o álbum nem mesmo vendiam mais as figurinhas e eu não poderia completar, mas mesmo assim eu fiquei feliz. Acho que eu ainda tenho o álbum (os meus de Harry Potter eu ainda tenho, haha).
Uma vez meu tio me deu um pôster que vinha com um CD com músicas de Pokémon. Nesse dia meu primo estava na minha casa e, assim que meu tio me entregou o pacote, meu primo encostou no ombro da mãe dele e começou a chorar HUAHUAHAUHA eu fiquei completamente confusa com a cena, massssssssssss... não tinha nada que eu pudesse fazer. Na época ele era extremamente mimado (e depois disso a mãe dele foi comprar pra ele também).
Eu lembro até hoje das músicas. Tinha dois CDs: um que foi vendido na banca e um que era vendido nas Lojas Americanas. O das Lojas Americanas eu só fui ter muito tempo depois, e o da banca só vinha quatro músicas: O Tema de Pokémon, Para Ser Um Mestre, Canção da Misty e PokéRAP. Eu escutava essas músicas TODOS OS DIAS. O TEMPO TODO. Sabia tudo de cor. O Tema eu nunca esqueci, e quando Pokémon Go lançou oficialmente aqui no Brasil eu me peguei sem parar cantarolando Para Ser Um Mestre e fiquei chocada que ainda sabia a letra. A Canção da Misty eu não lembro muito bem, mas acho que se ouvir de novo eu posso até cantar, quem sabe? Eu fico de cara como esse tipo de coisa ficou, enraizou em mim, enquanto matemática... Parei, haha.
Quando começou a se falar sobre Pokémon Go e, principalmente, quando foi lançado aqui, foi maravilhoso. Não vou mentir que não estou decepcionada de ainda ser nível 12 e de ainda não ter conseguido capturar nem o Squirtle e nem o Charmander (o Squirte já fugiu da PokéBola duas vezes, fala sério), mas eu ainda tô tão animada. Eu ainda fico querendo sair, explorar, pegar tudo de maneira honesta haha. Me deu ânimo pra sair, de ficar fora de casa.

Eu quero ser o único que pode aguentar,
O teste de ser o melhor,
Manter o pique, empenhar,
Ser o mestre...

Ainda vou realizar o sonho de ser uma Mestre Pokémon ♥.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Tempo perdido que nunca vai voltar

Paro pra pensar em quanto tempo não te vejo e às vezes parece pouco, às vezes parece muito. Na minha memória você ainda é uma criança de 7 anos ainda aprendendo a ler e a escrever, que ainda fala inúmeras bobagens que me divertiam e eventualmente irritavam também. Penso no quanto eu perdi também. Penso bastante nisso, pra falar a verdade. Apesar de não vê-lo há tanto tempo, tive a oportunidade de conversar com você uma vez há pelo menos dois anos, e céus, como você parecia mudado! Você me contou sobre sua paixão por Minecraft e ficou horrorizado quando eu disse que não sabia muito sobre porque achava meio bobo. Bobo?, você exclamava, ultrajado, e eu ria. Me contou sobre uma série no YouTube sobre Pokémon feita no Minecraft e que eu prometi que assistiria, mas que vergonhosamente ainda se encontra na minha aba de favoritos, intocada. Sinto muito por isso... Mas não é como se você fosse saber que eu não vi mesmo.

Hoje você completa 12 anos.
E eu sinto sua falta.
Feliz aniversário, meu irmão.

sábado, 7 de março de 2015

Na parede

Não era o tipo de conversa que eu queria ter hoje. Não era o tipo de conversa que eu precisava ter hoje. Era o tipo de conversa que poderia ter sido outro dia. Era o tipo de conversa que poderia ter esperado.
Meu irmão tem uma foto minha pendurada na parede de seu quarto.
Feliz.
Triste, porém.
Doce.
Amargo, também.
Agridoce.

Eu preferiria nunca ter sabido.

domingo, 26 de outubro de 2014

Unromantic

Há semanas eu não pegava meu iPod e fazia uma das coisas que mais amo, que mais me deixam feliz: ouvir música (e cantar!) enquanto balanço o mais alto que conseguir na rede.
Me sinto livre. Desde criança essa sempre foi uma das minhas maiores alegrias, eu, meu discman e algum CD de Sandy &; Junior ou Backstreet Boys! Haha.
Enquanto cantava, me percebi um pouco deslocada ao cantar canções românticas, porque... Eu não tenho ninguém pra dedicar. Bom, vou tentar explicar melhor porque eu definitivamente não estou reclamando de falta de namorado. Eu cantava e, depois de perceber o meu desconforto, pude ver que cada música romântica que aparecia minha mente inconscientemente escaneava meu cérebro em busca de alguém pra visualizar. Isso foi esquisito. Mas como fiquei de explicar e não expliquei, o que venho tentando dizer é que é estranho não gostar de alguém. Uma vez li que a pessoa do signo de peixes precisa estar constantemente apaixonado - não necessariamente em um relacionamento, apenas apaixonado - e acho que posso dizer sim que é verdade. Alguns anos atrás estive apaixonada por um garoto que era um ano adiantado a mim na escola, e apesar de não ter sido recíproco, foi uma época deliciosa. Houve sofrimento, sim, como quando eu caía em mim que ele não gostava de mim e a possibilidade disso acontecer era basicamente nula, mas no resto do tempo era bom. Era bom, sabe? Agora mais uma vez me encontro vazia a não ser com todo o cansaço e raiva que existem constantemente em mim, me sentindo melhor cantando músicas como The Phoenix, Tonight The World Dies, entre outras, e sendo muito passional quanto à isso porque exigem apenas o ódio e a tristeza em mim enraizados.



Tá bom, minto. Talvez eu não possa dizer realmente que não há ninguém em minha mente, mas como posso fazer isso sem soar pancada? Digo, acho que é de conhecimento geral que tenho uma queda imensa por um certo ator romeno. Massssssssssss acho que isso não conta, não. Mas sabe, odeio gostar dele assim. Acho que posso assinar meu certificado de doida, haha. Ai, quão inconveniente... Seb, porque não continuastes na Romênia? ):

terça-feira, 22 de julho de 2014

Granada

Ontem eu assisti A Culpa É Das Estrelas pela segunda vez e preciso dizer que estou levemente fragilizada, haha. Acho interessante que eu tenha me lembrado exatamente do dia em que eu vi o livro pela primeira vez e o comprei, não fazendo ideia do que se tratava realmente. Vi a capa azul  cujo tom, diga-se de passagem, é um dos meus favoritos  e o título e achei legal. Li o que estava escrito no fundo e achei promissor. Quando cheguei em casa e comecei a ler, logo nas 20 primeiras páginas eu já estava me desmanchando em lágrimas. Basicamente chorei o livro inteiro, várias vezes de soluçar mesmo. Não é segredo que depois da morte do meu tio eu me tornei muito mais sensível em relação a morte e para com aqueles que veem alguém querido morrendo. Então realmente não é segredo algum que eu senti, e senti muito, este livro (e, eventualmente, filme). Uma coisa que eu não aguento é quando dizem é só um livro/filme! ou eu não chorei nem nada porque eu sei que não é verdade. E precisa? Pra quem passou por isso, pra quem entende, pra quem já perdeu alguém, independente de ser verdade, mentira; você sente. Você entende. E você sofre por isso.

Uma coisa que penso desde quando li o livro e todas as vezes que era mencionado é quando Hazel diz que é uma granada. Ela clama que um dia explodirá e destruirá tudo ao seu redor, então acha que é seu dever diminuir o dano o tanto quanto possível. Mas o que me vem a cabeça desde a primeira vez é: e não somos todos? Digo, não somos todos granadas? Pelo menos todos que amamos e somos amados? Pra mim, não somos exatamente granadas. Pode-se ver como se fôssemos bombas, com pavios  ou, se preferir, trilhas de pólvora  de diferentes tamanhos. Morrer não é um privilégio do câncer. Não é como se fôssemos seres imortais cuja única fraqueza, única forma de perecer é quando o corpo desenvolve a doença. Um dia todos cairemos. E como eu falei em relação a bombas e pavios, alguns tem pavios ou trilhas bem longas, outros tem mais curtas, outros as tem encurtadas. Mas o negócio é que todas estão acesas. Não nascemos e começamos a viver, nós nascemos e começamos a morrer. Pode soar muito mórbido, mas é assim... Estamos sujeitos à morte a todo momento. Esteja você doente ou não.
Somos todos bombas porque quando explodirmos machucaremos quem ficar para trás. Não há como evitar, você ferirá e será ferido. Seja fictícia ou não, fico satisfeita que, no fim, Hazel parece ter percebido isso. Até mesmo eu, que ao ler também havia me identificado com a granada  mesmo com meu tumor benigno já ter sido extraído há algum tempo (por falar nisso, dia 31 de julho completará 5 anos desde a minha cirurgia! Eeeee!).

Ainda doi. E muito. Mas esse é o problema da dor, ela precisa ser sentida.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Depressão pré aniversário

Há alguns dias foi o aniversário da minha tia e o da minha prima, e desde antes disso eu já vinha sentindo minha própria depressão pré aniversário. Já há alguns anos eu me sinto desse jeito, mas, ao observar minha tia e como ela se sente e se porta em relação ao seu aniversário, me pergunto se eu já não ficaria assim independentemente da morte do meu tio ou não. O fato dela ter acontecido somente acelerou tal processo.

O aniversário da minha prima é dois dias antes do aniversário da mãe, e ela implorou que fosse feita uma festa do pijama, e assim foi. Eu fui convocada pra ajudar. Não é como se eu realmente tivesse uma escolha, inclusive. No dia seguinte houve um churrasco com a família, e alguns pais que iam buscar suas filhas acabavam ficando por lá um tempinho. Minha tia passou seu aniversário inteiro fazendo comida, limpando e lavando louça e servindo pessoas. Não posso dizer que fui uma pessoa caridosa e a aliviei de suas tarefas, mas, afinal, eu fiz o que me foi pedido, não fiz? Fui babá das meninas e até fiz umas coisas aleatórias. Pra completar, no final do dia, a cunhada dela ainda lhe fez o favor de deixar o filho e mais um menino lá sob supervisão da minha tia. Eu sabia que ela estava cansada, quase morta, na realidade. Eu deveria ter dito algo, feito com que a cunhada visse a razão que ela tão convenientemente não via, que se os dois meninos quisessem brincar juntos que ela os levasse para sua própria casa. Mas não foi o que eu fiz. Eu recolhi minhas coisas e esperei ansiosamente para ir pra casa. Porque eu não falei por ela? Já fiz isso tantas vezes. Já falei coisas por minha avó e já fui tão malvista antes, porque não fiz novamente? Gostaria de tê-lo feito.

E tudo isso só ajudou a piorar o que eu já sentia. Qual o motivo de eu não gostar de aniversário? O que, de fato, eu não gosto: de comemorar o aniversário ou fazê-lo? No fundo, a realidade seria que eu não gostaria de ter nascido? Ao mesmo tempo que não quero comemora-lo, parece errado não fazê-lo. Não exatamente parece errado  ou pareça, eu realmente não sei , mas é como se realmente não houvesse outra data pra reunir pessoas queridas na minha casa ou pra fazer algo que eu queira, sem ter algum pretexto realmente convincente. Argh, eu não sei. E quando penso sobre, a única coisa que consigo fazer é justamente, fazer sons guturais que não fazem nada a não ser mostrar frustração. Ah, frustração, minha velha amiga. Você nunca vai me deixar, não é?

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Alegre

Porque
um dia
eu já fui um girassol

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Sonhos crueis

Algumas pessoas se sentem agraciadas e felizes ao sonharem com entes queridos falecidos, mas eu não. Minha avó, por exemplo, em seis anos de morte do meu tio, se não me engano sonhou com ele apenas uma vez... Mas eu, ah, já eu acho cruel. No início era bom sonhar com ele. Mas agora, quando acontecem (e um bocado frequentemente), são sonhos onde nossas vidas continuaram como se a dele nunca tivesse terminado. E isso doi. Neles eu sei que alguma coisa está errada. Em alguns eu mesma me pergunto: mas ele não morreu? O que está acontecendo?, e é simplesmente péssimo. São fragmentos de um futuro e um presente que não tive, não tenho, e nunca terei. Cruel.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Princesa Mecânica


Acabei de traduzir por completo o livro Princesa Mecânica e, nesse momento, não há algo que me descreve melhor do que dizer que me sinto infinita. Não achava ser possível se identificar mais com um livro do que já fazia antes, mas aparentemente é e o fiz. Me pergunto se tradutores geralmente são acometidos por tais sentimentos ou se é uma coisa própria, totalmente e completamente minha. Talvez seja.
Já chorei com muitos livros. Nesse, chorei de tristeza, chorei de desespero, e uma coisa inédita: chorei de felicidade. Sim, já chorei com muitos livros. Mas de felicidade foi a primeira vez. Quanto ao choro, inclusive, é algo que eu gostaria de tratar num outro post, mas, no momento, tudo é Clockwork Princess e nada doi (mentira, tudo doi!).
Porque você se deu o trabalho de traduzir o livro? muitas pessoas me perguntaram. Bom, um dos maiores motivos é o fato de não ter previsão dele ser lançado em português e, muito menos, alguma tradução disponível, e eu queria muito, muito mesmo, que minha avó lesse. Me coloquei a traduzir assim que terminei de ler, e demorei  não tinha ideia do quão exaustivo seria traduzir um livro! Trabalhoso também. Mas devo admitir que demorei mais porque deixei de traduzir por vários dias. Foi trabalhoso e exaustivo, mas agora sinto falta. Minha avó me aconselhou a traduzir outro livro, mas não é do ato de traduzir que eu sinto falta. Eu sinto falta desse livro. Sinto falta desses personagens. Sinto falta dos meus amores, de uma forma que nem mesmo Harry Potter me fez sentir.
As Peças Infernais se tornou, definitivamente, uma das minhas séries/trilogias favoritas. Se compara a Jogos Vorazes no quesito o que causou em mim. Amo tanto, tanto, todos os personagens... Will. Oh, Will. Oh, meu Will. Não apenas o Will, mas me senti tão profundamente conectada com ele. E com a Tessa também. Ambos são como representações minhas... Talvez do que eu gostaria de ser, do que eu gostaria de ter, do que eu gostaria de conseguir. Como uma vez, no Príncipe Mecânico, disse meu querido Will Herondale:

Foram os livros que me fizeram sentir que talvez eu não estava completamente sozinho. Eles poderiam ser honestos comigo, e eu com eles.

Apesar de saber agora que em meados de novembro o livro será lançado aqui no Brasil, se alguém quiser lê-lo, traduzido com muito carinho e amor por mim, ficarei feliz em passar. Qualquer coisa é só me contatar no facebook ou no twitter (deixando claro que eu não estou ganhando nada com isso, e nem pretendo usar nada disso para fins comerciais). ;)


PS: Preparem-se para um Desafio de, possivelmente 30 dias, das Peças Infernais em breve, haha!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Um homem só



As lágrimas secam e eu me esqueço
Que todo fim é sempre um outro começo
Tantas palavras, tantos arranhões

Transformando milagres em desilusões

Quando a noite cai eu volto aqui onde sempre estou
Quando o sol se vai eu volto a ser o que sempre sou:
Um homem só, um homem só

Amar é viver desaprendendo
Eu nunca espero nem me arrependo
Falando a verdade sem motivo
Revelando o segredo por trás do sorriso

Quando a noite cai eu volto aqui onde sempre estou
Quando o sol se vai eu volto a ser o que sempre sou:
Um homem só, um homem só

Quando a noite cai eu volto aqui onde sempre estou
Quando o sol se vai eu volto a ser o que sempre sou:
Um homem só, um homem só

Um Homem Só, Capital Inicial.

R.I.P.
Marcus Vinícius da Costa
★ 17/09/1963
 ✝ 24/05/2007

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Palavras insuficientes


Hoje esse carinha aí completa 10 anos. Wow. Eu, que leio e escrevo tanto, me torno incapaz de organizar palavras quando mais preciso. O que eu poderia dizer? Que sinto sua falta? Sim, muito. Que amo você? Bastante. Que pelos curtos minutos que conversamos você me surpreendeu com sua esperteza e maturidade? Sim, incrivelmente. Você não é mais aquele menininho avoado de cabeça enorme que deixou a minha casa alguns anos atrás, você cresceu. Gostaria de ter crescido com você, acompanhado todo seu desenvolvimento, rido das suas palhaçadas e, claro, te sacaneado muito. Mas sabe, nenhuma dessas palavras me parecem válidas, suficientes. Eu amo você, Juninho. Sinto sua falta. Sempre.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Meu primeiro pai

Se estivesse vivo hoje meu avô paterno estaria completando 82 anos de idade. Falecido há 14 anos, sinto muito em dizer que não tenho muitas lembranças dele; mas as histórias que ouço sobre grande parte de sua vida  como seu relacionamento com minha avó e filhos  me deixam estupefata, pois em nenhuma delas consigo identificar o homem que conheci. Histórias antigas mostram como ele não tinha problema algum em humilhar a esposa ou os filhos, como era de certa forma maldoso e como parecia mais disposto a ajudar os amigos e conhecidos do que a própria família; de forma alguma parecido com o senhor carinhoso, que me chamava de linda, que me trazia caramelos todos os dias. O mesmo que me levava sempre a uma mini-praça (que aliás, nem deveria chamá-la assim, apesar de que se não chamar de praça, como a definirei? Não tenho ideia do que era) porque eu adorava escalar uma pedra imensa e me sentir como se fosse a dona do mundo, do alto dela.

Talvez a idade o tenha mudado. Talvez meu nascimento o tenha mudado. Gosto de pensar que tenha sido esse o motivo e também fico satisfeita por outras pessoas pensarem da mesma maneira. Apesar de, como eu disse anteriormente, ele ter se tornado uma outra pessoa quando nasci, não muda o passado e as lembranças de que nem sempre ele foi assim. Ainda hoje eu não sei se tenho  ou mesmo se seria capaz  de formar uma opinião sobre isso e sobre ele, mas sei que não vou, não posso e nem deveria classificá-lo como algo em particular. Afinal, quem sou para isso? Quem sou eu pra dizer se ele foi uma pessoa boa ou uma pessoa ruim? Até porque não acho que existam pessoas inteiramente boas e/ou pessoas inteiramente ruins. Todo bem há um pouco de mal e vice versa.

Não tenho muitas lembranças dele e nem ao menos me lembro de sua voz (algo que lamento), mas foi incrivelmente especial para mim. Por cinco anos ele foi meu pai  e por muito tempo foi ele o único a quem eu conseguia me referir e chamar de pai. Aliás, não o chamava apenas de pai, mas sempre de papai. Também o homenageei colocando seu nome  João  no meu cachorro (qual é, eu tinha cinco anos!), meu primeiro, um poodle preto que tinha uma adorável mancha branca como se fosse um cavanhaque e uma outra no peito, como se fosse uma gravata. Apesar dos pesares é com alegria que digo que não importa o que tenha acontecido no passado, ele ainda é lembrado, e com carinho. Papai, amo você!

R.I.P.
João P. da Costa
★ 07/06/1931
✝ 19/06/1999

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Seis anos atrás...


The sun comes up and you are all over my mind
You're in my brain before I can open my eyes
As I go on without you
My heartbeat won't slow down
I need you back like I need air to breath this out
Há exatos seis anos, por volta de 20h30 eu receberia uma notícia que causaria uma grande reviravolta em minha vida e que a mudaria para sempre. Pode parecer um tanto dramático demais  e nem penso em dizer que não seja , mas quando a história é conhecida já não se pensa ser tanto drama assim. No dia 24 de maio de 2007 falecia meu tio, que também era meu padrinho e, principalmente, meu pai de criação, Marcus. Meu tio Marquinho.
All I can do is keep you closer now
Cause I know you're somewhere out there looking down
Wherever you are
I hope you can see me smiling
Eu procuro manter minha mente longe de pensamentos do estilo como minha vida seria se você estivesse aqui?, mas há duas datas em que é quase impossível não pensar sobre isso: seus dois aniversários. O de nascimento e o, infelizmente, de morte. Tudo seria tão diferente. Eu provavelmente seria um tanto mais perdida e dependente, mais fútil também, talvez. Mas certamente não teria conhecido grande parte da tristeza e decepção que conheci, não teria caído em tal abismo que ainda hoje luto para escalar, caindo e tentando recuperar altura. Não é certo colocar a culpa em outras pessoas, ainda mais em quem nem aqui está mais, mas o que eu poderia fazer? Mentir? Pois é, tio. Estou assim por sua culpa. Você disse que ia voltar. Você disse que voltaria, no entanto nunca mais pude ver seus olhos, ouvir sua voz. Entro em pânico só de pensar em esquecê-la e já me entristeço de só lembrar de como ela era quando você brigava comigo. Tenho medo de esquecer da sua voz como esqueci a do meu avô, a quem eu chamei de pai. Tive três pais; dois a Morte levou e o outro, ele mesmo fez questão de se retirar da minha vida. Mas se você estivesse aqui, você não teria permitido. Você jamais teria deixado ele me ferir da forma que feriu. Você me protegeria. Eu não só me sentiria segura, como estaria. Sabe o que é irônico? No meu primeiro celular  que você me deu  o seu toque (polifônico!) era “Não Sei Viver Sem Ter Você, do CPM22. Algumas pessoas já chegaram a me dizer que eu sentia falta apenas do seu dinheiro e das coisas que você me proporcionava; mas não, tio. Nunca foi. Apenas eu sei o quanto eu trocaria para ter você de volta. Sabe tudo que você me deu? Todos os lugares que me levou, todas as pessoas que conheci, tudo que ganhei; nada, NADA se equivale à você. Sua presença. Você.
The sky gets dark
I watch the water here at home
It's six* years now and I'm still learning to let go
It's not the same without you
There's no one keeping time
You were the rhythm that was bringing us to life
Sou grata pelos 13 anos que passamos juntos. Sou grata por ter cuidado de mim. Sou grata por ter ficado comigo, por ter me amado, por apenas ter me deixado quando não pôde mais ficar. Sei que nunca me deixaria de propósito. Obrigada por ter pensado em mim mesmo quando quase não aguentava respirar. Obrigada por ter me ligado todas as noites. Me perdoe por não ter sido forte o suficiente para massagear suas costas quando você estava magro e fraco demais e suas costelas proeminentes. Me perdoe, pois eu sei que eu nunca vou me perdoar por isso.
All I can do is keep you closer now
'Cause I know you're somewhere out there looking down
Wherever you are
I hope you can see me smiling now
As pessoas dizem que com o tempo melhora. Não melhora. Dizem que o tempo cicatriza as feridas. Não cicatriza. “Algumas feridas são profundas demais para cicatrizar, ou profundas demais para cicatrizar depressa, assim marca uma frase d'O Nome do Vento. Eu não poderia concordar mais. Essa ferida jamais irá fechar. Haverá períodos em que doerá menos, mas estará sempre aqui. Tio, te amo, te amo, te amo. Mesmo que te amo não seja correto, meu amor o é.
Sometimes I can't help but think that I
Have you right behind me all this time
If only you could have a chance to see
All the happiness you gave to me
Mas fui egoísta também. Aliás, não fui, eu sou. A culpa não é sua. Sei que você não tinha intenção nenhuma de tudo o que aconteceu. Sei também que meu maior egoísmo foi ver seu sofrimento e ainda assim querer que você ficasse. Enquanto você pensava em mim, eu também pensava em você, mas não da maneira correta. Se você tivesse sobrevivido, você teria melhorado? Voltado ao que era? Deixando os sentimentos de lado e pensando mais logicamente, acho que não. Além de todos os problemas físicos que você teve, ainda houve todo aquele trauma emocional que você não apenas sofreu enquanto esteve doente, mas por toda a sua vida. Sabe tudo aquilo que eu escrevi sobre tudo ser sua culpa? Então, esquece isso. Pensamentos bobos de uma adolescente boba. Enquanto você pode você esteve aqui, mas agora você está livre! Eu sofro, sou triste, mas também sou feliz e tenho momentos de felicidade. E de onde você estiver, espero que possa me ver sorrindo.        


Yellowcard - See Me Smiling

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O adeus de Arya

Sinto-me triste e decepcionada por nunca ter falado sobre ela antes, enquanto ela estava aqui. Entre julho, agosto e um pedaço de setembro estive indo todos os dias pra casa da sogra da minha tia, ajudando-a a cuidar dos filhotes recém-nascidos de Rottweiler e de alguns um pouco mais velhos de Malinois. A Arya era a 10ª filhote de Boneca e Brutus e, pelo grande número de filhotes, acabou por quase não ter oportunidade de se alimentar e crescer. Desde o princípio chamou a minha atenção e a de minha prima, por ser a menor e a mais magrinha. No início minha prima havia lhe posto o nome de "Princesa Helena".

Princesa Helena Arya com cerca de um mês, dormindo

Nessa época minha tia já lhes dava papinha (ração triturada + água morna) e eu os vigiava e me certificava que comiam tudo. Foi quando percebi o motivo de ela ser tão pequena enquanto outros eram tão grandes e gordos. Ela não comia. Ela não tinha oportunidade de chegar na vasilha e, quando tinha, comia um pouco e acabava por sair, não conseguindo voltar depois. Porque os filhotes são assim: eles comem um pouco, saem, dão uma volta, Voltam pra vasilha, comem mais, cansam, deitam. Voltam, comem mais. E a cada vez que ela saía, ela não conseguia voltar mais. Mesmo que eu lhe arranjasse espaço, ela chegava, dava umas três bocadas e saía, perdendo o lugar.
Em setembro parei de ir por motivos de: o AVC que minha avó sofreu.
Lembro de estar no hospital num dos dias e receber a ligação de minha tia dizendo que talvez a Princesa Helena Arya não passasse daquela noite, pois seu marido a havia visto totalmente apática, mal se levantando ou andando. Chorei. Admito que chorei mesmo. No entanto a noite passou e ela não morreu, e assim que minha avó voltou pra casa, a Princesa Helena Arya foi levada para cá, local que se tornaria seu lar pelos quatro meses seguintes.
Quando ela chegou decidimos que, definitivamente, seu nome não seria Princesa Helena. Mas a primeira opção não foi Arya. Seu nome foi Xena por quase duas semanas, antes de eu dizer o quanto não gostei do nome, que apesar de continuar sendo uma princesa e, ainda por cima, uma guerreira, não combinava com ela. E além do mais eu não gostava de Xena Xena Xeninha Xeninha Xaninha Xana. Achei e acho Arya muito mais apropriado, pois as duas Aryas da literatura - que eu conheço - são incríveis e, princesas também. A Arya de Eragon filha da Rainha Islanzadí dos elfos e a Arya Stark das Crônicas de Gelo e Fogo (aka Game of Thrones) irmã de Robb Stark, THE KING IN THE NORTH! *brados e silvos*

Princesa Helena Xena Arya e Jake

Agora que comia, bebia e tinha um lugar somente para si, ela começou a se desenvolver e foi imediato. Sua barriguinha (que era negativa) se tornou bastante protuberante e logo tínhamos uma cadelinha com saúde plena e iguais aos irmãos que havia deixado pra trás. Ela chegou menor que o Jake e, em tempo recorde  estava bem maior do que ele.
Era hilário ver os dois juntos. Ela tentava chegar nele, brincar com ele, e ele fugia, avançava, rosnava. Cada vez que ele rosnava pra ela, ela abaixava, mostrando-se totalmente submissa (vide foto acima) e mesmo assim ele fugia dela. Ele chegou a ponto de se esconder atrás do móvel da TV, do sofá, e a causar uma bagunça tremenda ao redor da árvore de Natal.

Giovana e Arya em outubro, um mês depois de sua chegada. Tinha quase três meses.

As mudanças nela foram incríveis. Seu pelo era maravilhoso, muito mais bonito que o de seus irmãos, e sua personalidade, doce. Porém seu crescimento inevitável tornou difícil sua convivência com minha avó. Ela ficava presa na área atrás da casa, um corredor (a Arya ficava presa na área, HAHAHAHAHA piada estilo do tio do "pavê ou pacomê"). Não havia uma vez que fôssemos colocar comida que ela não conseguisse escapulir e saía como um furacão pela casa - coisa completamente normal pra mim. Mas não pra minha avó. Ela tinha (e tem!) a necessidade de brincar, pular; e quando minha avó ia lá atrás, era exatamente isso que acontecia. Minha avó então começou a reclamar que qualquer dia iríamos encontrá-la dura e estirada no chão, morta, por causa da cadela. Que dia desses a cadela a faria cair e quebrar algum pedaço do corpo. Muita coisa desnecessária.

Giovana e Arya, em janeiro, menos de três meses depois - e com cerca de seis meses de idade.

Eu não queria deixá-la ir. Mas acabei tendo que ceder.
Fico triste e desapontada também por não ter feito esse post antes. Ela foi levada daqui para o sítio e canil há cerca de duas semanas e somente hoje - quando fui avisada sobre sua venda - o fiz. Sinto sua falta tremendamente.
Não quis vendê-la pois não se vende membros da família. Só por ser um cão, um animal, a tornaria suscetível à isso? Vemos muitas pessoas doando e vendendo seus bichos por motivos de nascimento de filho, mudança de casa; Mas vem cá, "meu bicho não consegue se acostumar com meu filho, então estou doando criança de seis meses, 70cm, caucasiano, olhos verdes. Vacinado e vermifugado, tratar diretamente com Fulana" nunca vai acontecer, né? Pode parecer extremo e exagerado, mas pra mim não é. Não se pode jogar fora um membro de sua família por inconveniências. Assim fosse já teria dado cabo de minha prima, madrasta e qualquer um que me fosse desagradável há séculos. Para tudo, TUDO, há uma solução. E uma que não seja necessária a exclusão de alguém.

Me dando beijinho, aquela linda.

Então é basicamente isso. Perdi um membro de minha família, alguém (sim, alguém!) que cuidei, amei. Ela não ficou belíssima à toa. Foi por minha causa. Mãe não tem raça, tem coração.

Com muito amor, sempre;
Jay.

Obs: Semana passada fui ao sítio da minha tia e a vi lá. Foi, hm, heartbreaking. Estava chovendo e ela ficava o tempo todo do lado de fora, portanto estava encharcada. Ela estava com outros dois cães - um outro Rottweiler, um de seus irmãos - e um Malinois. O Malinois não parecia se importar muito com ela, mas o irmão ficava praticamente comendo a cabeça dela enquanto ela ficava em pé me olhando, enquanto ambas tentávamos inutilmente interagir. Não conseguia passar a mão pela grade... E o irmão mordiscava a cara dela, puxava ambas as orelhas... E ela lá, sem fazer nada, apenas olhando pra mim. E eu pra ela. Me senti impotente. Uma das piores cenas que já vivi em minha vida.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

O menino incrível que ninguém sabia que era incrível

É inegável o quanto sinto falta do meu irmão. Também não posso e nem vou negar o fato de que eu não gostava dele. No início a convivência foi sofrida e torturante, mas... Passei a gostar dele de verdade. Eu o conheci de verdade, me tornei uma pessoa melhor pra ele, o defendi, o amei. Mas, infelizmente, ele é/foi uma criança incompreendida. A maioria das pessoas não gostava muito dele ao conhecê-lo, e por culpa de sua mãe ninguém tinha a mesma chance de conhecê-lo como eu havia conhecido. Me entristece profundamente o fato do meu tio ter morrido sem conhecer a criança fantástica que ele é. Meu tio não gostava dele, sabe? Acho que a maior birra que ele – e todos os outros – tinham era pelo fato dele ser filho de quem é. Ninguém da minha família simpatiza muito com a mãe dele (e hoje em dia, nem eu. Não mais), então sempre o deixaram de lado e olhavam com desconfiança. Sei que as irmãs da minha avó e sobrinhas realmente não vão muito com a cara dele e tem preconceito – sim, preconceito! – para com ele.
Me entristece também que apenas eu e minha avó sintamos a falta dele e que apenas nós sabíamos o quão doce, incrível, aquele menino é. Todos lembram-se apenas daquele menino pirracento, chorão, inconveniente e chato que ele era, mas ele mudou. Ah, como ele mudou! Ele já não chorava por tudo, tornou-se educado, um pouco menos inconveniente (isso eu acho que ele sempre vai ser, haha) e se tratado da maneira certa, DA MANEIRA QUE UM SER HUMANO DEVERIA SER TRATADOcoisa que a mãe dele desconhece – ele é carinhoso, respeitoso. Enfim, uma pessoa maravilhosa, mas que mesmo assim temo por seu futuro, já que foi separado de quem poderia ajudá-lo a se tornar a pessoa incrível que ele foi destinado a ser.


Apesar de meus últimos dois encontros com ele terem sido bons, ainda tenho pesadelos nos quais eu tento alcançá-lo, conversar com ele, abraçá-lo, mas ele apenas foge e diz que não pode mais falar comigo, que não quer, sem nem ao menos olhar pra trás. Tenho medo que ele pense que eu o abandonei, que não gosto mais dele ou que nunca gostei. Tenho medo que ele me deteste. Tenho medo. Muito medo.

- Jay.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Reencontros e desapontamentos

É tão estranho quando você passa alguns anos sem ver uma pessoa e, quando a revê, ela está praticamente irreconhecível. Não só estranho como é ruim também. Ruim não, péssimo. Desde criança eu vivo indo com a minha avó na casa de uma amiga dela, quase que semanalmente, por isso virei grande amiga das duas bisnetas dessa amiga da minha avó. Num desses dias eu conheci o tio delas, e me encantei por ele. Calma! Quando eu digo “tio” automaticamente as pessoas já imaginam direto um cara velho, com idade pra ser meu pai, mas não, o tio delas é da minha idade. Ele é apenas dois anos mais velho que a primeira sobrinha. Nós éramos dois bocós um perto do outro, era tragicamente engraçado, não dava pra saber quem era mais tímido. Apesar de toda a timidez, nós conversávamos direto pelo MSN, era ótimo conversar com ele e tínhamos muito em comum... Inclusive nós dois descobrimos os Jonas Brothers juntos (HAUHAUAHUAHAUHAUHAUAHUUHA risos eternos quando lembro disso), tínhamos combinado de em 2010, quando tivéssemos 16 anos, nós iríamos juntos visitar o Wizarding World of Harry Potter, e, bem, ele foi o primeiro cara que pediu pra ficar comigo. Por mais que eu tenha ficado tentada – eu realmente queria – meu medo sempre falou mais alto, tanto que eu nunca aceitei – apesar de nunca ter recusado também. Acabou que o tempo foi passando; ele arranjou namorada, que aliás, nem gostava de mim. Certa vez ela tentou caçar confusão comigo via Orkut – sério. Isso porque eu comentei numa foto de um álbum dele, e olha que nem foi nada demais! O único álbum e fotos que eu comentava era um sobre o Cruzeiro. Foi um pouco surreal até, eu quase não acreditei.
Depois de 2008 nós perdemos contato e nunca mais nos vimos até junho deste ano.
Eu tive muito medo de revê-lo, foi uma mistura de excitação e ansiedade com muito receio e sim, medo mesmo. Eu não fazia ideia de como seria, o que ele pensaria de mim? Esse tempo todo eu tinha em mente aquela imagem daquele menino magrelo, alto, daquele jeito desengonçado típico de meninos em fase de crescimento e lotado de espinhas... E bom, o que eu vi não foi decepcionante. Eu já o achava “tudo de bom” antes e o que eu vi foi tipo... Uau. Foi como reviver um daqueles momentos de anos atrás, mas passado algum tempo de conversa, ele teve que levantar e eu acabei saindo também, e não mais voltei. Como poderia? O motivo é assunto pra outro post, até porque eu já desviei demais do assunto inicial, apesar de ainda envolver esse mesmo menino.

Um dos meus maiores medos era o que ele pudesse ter se tornado. Quando crianças, ele era um doce, era realmente um fofo. Apesar de não saber logo de cara, fui saber só hoje grande parte do caráter dele, pela própria sobrinha. Não que eu tenha contado nada disso pra ela, acho que ela nem sabe de nada do que não rolou entre nós, mas seguindo em frente. Um dos piores tipos de pessoa é aquela que é bonita e sabe disso. Não só sabe como usa ao seu favor, desprezando quem fosse diferente. Hoje ele é modelo, já ganhou concursos. Hoje ele parece ser totalmente superficial... Diz minha amiga que ele tem uma namorada linda e a trai quando bem quer e entende. Isso me deixou triste, sabe? Eu nunca pensei que ele fosse se tornar esse tipo de pessoa, e foi com isso que me decepcionei. Lembro de ter sentido tanto a falta dele, a amizade dele me fazia bem, e era uma das coisas que eu mais queria recuperar... E ainda quero. Mas não desse cara. Eu quero de volta aquele menininho que era meu amigo antes, que conseguia distinguir a voz do Nick e do Joe enquanto eu ainda não conseguia, que me chamava pra ir no shopping e jogar e trocar cartas de Yu-Gi-Oh! No estacionamento, que conversava sobre futebol comigo e discutíamos sobre o atual desempenho do Cruzeiro, que adorava e falava sempre sobre Harry Potter comigo. Aquele que, supostamente, iria viajar comigo um dia. É desse menino que eu sinto falta. É tão ruim esse sentimento. Bolinho de queijo, o que aconteceu com você?