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domingo, 17 de setembro de 2017

54

Cerca de seis meses atrás falei que não tinha intenção de abandonar o blog.
Abandonei. Que piada.
O pior de tudo é que é sempre sem querer. Tenho sempre o hábito de pensar em coisas pra escrever a respeito, sem nunca de fato escrever. É irritante. Um péssimo hábito.


O que me inspirou, de certa forma, a escrever hoje é que é exatamente hoje que meu tio completaria 54 anos se estivesse vivo. Curiosamente, em maio eu já tinha planos de escrever  em maio deste ano completou-se 10 anos da morte dele. Se quatro meses atrás eu já tinha planos de escrever sobre (e não escrevi), o que mudou desde então? Nada, na verdade; mas nos últimos tempos tento parar de pensar em como minha vida seria ou teria sido se ele estivesse vivo, pensando na realidade no tipo de pessoa que eu sou e que me tornei, e o que ele se sentiria em relação a isso. O que ele pensaria de uma pessoa tão procrastinadora e que abandonou tudo aquilo que antes a caracterizava e que fazia parte de si. Uma pessoa tão artística, mas que abandonou toda sua arte  seus desenhos, sua escrita.
No fim não sei qual dos dois pensamentos é mais tóxico, apesar de que com os segundos eu poderia, em tese, mudar  e digo em tese porque, convenhamos, eu tenho consciência todos os dias de tudo que deixei pra trás, só não consigo mudar isso. Não sei o que me motiva, o que me inspira. Como mudar isso? Como mudar isso, quando nem sei qual é o problema?
Talvez pelo menos um primeiro passo tenha sido dado agora...

quinta-feira, 23 de março de 2017

Meses depois

Eu realmente não tinha a intenção de abandonar o blog.

Diversas vezes eu tenho ideias do que escrever, até redijo o texto mentalmente  mas é aí que fica: sempre nos domínios da mente. E convenhamos, não é um domínio que eu tenha domínio. Ha, foi uma piada. Mais ou menos. Quem sabe. (Que droga).

Antes, sempre assombrada com o sentimento de que estou esquecendo alguma coisa, tal sentimento evoluiu ou foi substituído pelo sentimento de que estou fodendo com alguma coisa. Não no sentido literal, claro, mas naquele sentido de que estou estragando tudo. O problema: não sei o que é. Igualzinho a quando saímos ou estamos pra sair e achamos que pegamos tudo quando na verdade não pegamos (ou até mesmo não esquecemos nada), mas aquele sentimento continua lá, incomodando.
E igualzinho ao sentimento citado antes, esse novo não vai embora e incomoda tanto tanto. Até mais, pois qual o problema? O que eu fiz de errado? O que aconteceu, ou ainda vai acontecer, que já me incomoda?

Eu sei que é um problema meu. E como tantos outros, é mais um que eu não consigo externar; e mesmo que conseguisse, tá aí: é um problema meu. Ninguém seria capaz de me ajudar, até porque talvez quaisquer soluções que me fossem apresentadas seriam negadas, negligenciadas - porque eu tenho medo. Eu não sei o que fazer, não faço ideia, de verdade. Mas fazer algo que alguém sugeriu? E o medo? Eu sou uma pessoa que vive com medo. Ou melhor, não vive.

Hoje, depois de uma tentativa de conversa pela parte da outra pessoa  que eu tentei fugir, falei demais, senti demais, e falei e senti tudo errado , ela me disse: Queria saber quando você ficou assim. Olha, eu também.

Eu também.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

The Hollow Men

The Hollow Men
T.S. Eliot

I
We are the hollow men
We are the stuffed men
Leaning together
Headpiece filled with straw. Alas!
Our dried voices, when
We whisper together
Are quiet and meaningless
As wind in dry grass
Or rat's feet over broken glass
In our dry cellar

Shape without form, shade without colour,
Paralysed force, gesture without motion;

Those who have crossed
With direct eyes, to death's other Kingdom
Remember us  if at all  not as lost
Violent souls, but only
As the hollow men
The stuffed men.

II
Eyes I dare not meet in dreams
In death's dream kingdom
These do not appear:
There, the eyes are
Sunlight on a broken column
There, is a tree swinging
And voices are
In the wind's singing
More distant and more solemn
Than a fading star.

Let me be no nearer
In death's dream kingdom
Let me also wear
Such deliberate disguises
Rat's coat, crowskin, crossed staves
In a field
Behaving as the wind behaves
No nearer

Not that final meeting
In the twilight kingdom

III
This is the dead land
This is the cactus land
Here the stone images
Are raised, here they receive
The supplication of a dead man's hand
Under the twinkle of a fading star,

Is it like this
In death's other kingdom
Waking alone
At the hour we are
Trembling with tenderness
Lips that would kiss
Form prayers to broken stone.

IV
The eyes are not here
There are no eyes here
In this valley of dying stars
In this hollow valley
This broken jaw of our lost kingdoms

In this last of meeting places
We grope together
And avoid speech
Gathered on this beach of the tumid river

Sightless, unless
The eyes reappear
As the perpetual star
Multifoliate rose
Of death's twilight kingdom
The hope only
Of empty men.

V
Here we go round the prickly pear
Prickly pear, prickly pear
Here we go round the prickly pear
At five o'clock in the morning

Between the idea
And the reality
Between the motion
And the act
Falls The Shadow
For Thine is the Kingdom

Between the conception
And the creation
Between the emotion
And the response
Falls the Shadow
Life is very long

Between the desire
And the spasm
Between the potency
And the existence
Between the essence
And the descent
Falls The Shadow
For Thine is the Kingdom

For Thine is
Life is
For Thine is the

This is the way the world ends
This is the way the world ends
This is the way the world ends
Not with a bang, but a whimper.

Os Homens Ocos

Os homens ocos
T.S. Eliot, tradução Ivan Junqueira

I
Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada

Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;

Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam  se o fazem  não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como homens ocos
Os homens empalhados.

II
Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.

Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo

Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular

III
Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.

E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
A hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.

IV
Os olhos não estão aqui
Aqui os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos

Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio

Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.

V
Aqui rondamos a figueira-brava
Figueira-brava, figueira-brava
Aqui rondamos a figueira-brava
Às cinco em ponto da madrugada

Entre a ideia
E a realidade
Entre o movimento
E a ação
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino

Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Tomba a Sombra
A vida é muito longa

Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino

Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é

Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Mockingjay, part 2

Estive com meu ingresso em mãos por cerca de um mês e agora finalmente pude assistir. Assim como Harry Potter, me parece um pouco surreal que acabou. A espera, a ansiedade... Assim como eu disse no post do ano passado, Você vem, você vem para a árvore? em que eu comentava sobre a primeira parte do filme e eu disse que não chorei abertamente nele, e que provavelmente era pra compensar as lágrimas que viriam no de agora, eu estava certa.
Você provavelmente já conhece a regra: se não assistiu o último filme da franquia Jogos Vorazes, não continue a leitura. Mas se quiser continuar, prossiga por sua conta e risco, pois eu avisei! Entretanto, antes de ir adiante, acho triste constatar aqui enfim uma coisa que eu já havia percebido desde o primeiro filme: nós somos a Capital. A Esperança  O Final foi o filme que menos arrecadou em sua estreia (e talvez de todos os outros?), e o de reclamação que eu vejo é o mesmo... da falta da dinâmica que teve nos primeiros dois filmes. É muito triste quando a falta de sucesso de algo é justamente o motivo de sua denúncia.



sábado, 12 de setembro de 2015

Clato: os verdadeiros amantes desafortunados de Panem?

Eu não sabia, mas aparentemente um bocado de gente gostaria que eu postasse sobre Clato. Pra quem não sabe, Clato é nome do ship de dois personagens de Jogos Vorazes, Cato e Clove, os carreiristas do Distrito 2 dos 74º Jogos Vorazes.
Apesar da trilogia inteira ser recheada de tragédias, pra quem lê o livro e entende que há uma conexão entre Cato e Clove, explicitada principalmente no momento da morte dela, uma das primeiras tragédias (depois da morte da Rue) está logo aí, porque desde quando Katniss e Peeta são escolhidos tributos, você não confia no Peeta, você não sabe se quer que ele volte  e talvez esse sentimento vá mudando de acordo com a progressão da história, talvez não ; e então eles tem a tal mudança de regra onde os tributos do mesmo distrito poderão vencer juntos caso sobrevivam até o final. Apesar disso, você sabe que Cato e Clove estão condenados.


Então levo vocês até o filme. Odiei que no filme tenham colocado aquela coisinha entre o Cato e a Glimmer, entretanto torci para que na cena de morte da Clove eles se redimissem e nessa hora víssemos um outro lado dos Carreiristas. Vamos relembrar:

Não! Não, eu  Clove vê a pedra, cerca do tamanho de um pequeno pedaço de pão na mão de Thresh e perde a cabeça. Cato! ela chia. Cato! 
Clove!" eu ouvi a resposta de Cato, mas ele está muito longe, posso afirmar isso, para ajudá-la.
[...]
Clove! a voz de Cato está muito mais perto agora. Eu posso afirmar pela dor nela que ele a vê no chão.
[...]
Eu me reviro e meus pés mergulham na terra batida enquanto eu fujo de Thresh e Clove e do som da voz de Cato. [...] Cato se ajoelha ao lado de Clove, lança na mão, implorando para ela ficar com ele. Em um instante, ele perceberá que é fútil, ela não pode ser salva. [...] Após alguns minutos, ouço o canhão e sei que Clove morreu, que Cato ficará atrás dos rastros de um de nós. [...] Eu carrego uma flecha, mas Cato consegue jogar a lança quase tão longe quanto eu consigo atirar.



Quando eu li este trecho no livro eu simpatizei muito com eles, muito mais do que pensei que seria possível simpatizar com os supostos vilões. Foi aí, creio eu, que eu passei a perceber que eles não eram vilões. Foi aí que eu vi e passei a defendê-los também, pois eles foram treinados a vida inteira para isso, o que me deixa ainda mais revoltada com o discursinho completamente fora do personagem que colocaram pro Cato fazer. Antes de fazer esse post até olhei antes e tem pessoas com a mesma opinião que eu em relação a este discurso, haha.



Vai em frente. Atira. Aí nós dois caímos e você vence. Vai. Eu já tô morto mesmo. Eu sempre estive, né? Eu não Eu não sabia até agora. Não é isso? Não é isso que eles queriam? Hein? Não. Não não, eu ainda posso fazer isso. Eu ainda posso fazer isso. Mais uma morte. É a única coisa que eu sei fazer, 'trazer honra ao meu distrito', não que isso importe.

Gente. Sério mesmo, eles passam o filme inteiro demonizando os Carreiristas. Olha eles arranjando briga no Centro de Treinamento, olha eles rindo da Katniss  que maldade! , olha a Clove atirando facas por diversão num lagarto na floresta! Aí DE REPENTE, no ÚLTIMO MINUTO eles fazem essa volta de 180º para, por favor, simpatizem com a pobre vítima Cato. De primeira pode ter sido um bocado efetivo, mas e aí? Porque é tão problemático e fora de personagem? Vamos à análise:

Vai em frente. Atira.  Pra começar, isso já é um bocado surpreendente porque EM MOMENTO ALGUM seja do livro ou do filme o Cato demonstrou desejo de morrer, inclusive lutou até ser descrito como um irreconhecível pedaço de carne após ser estraçalhado pelos bestantes.
Aí nós dois caímos e você vence.  Sabe, essa frase não faz muito sentido pra ele dizer porque mostra um entendimento que ele não deveria ter. Ele sabe que Katniss e Peeta são do mesmo distrito e podem ir pra casa juntos, então porque diria uma coisa dessas? Dá a entender que Cato sabe mais dos sentimentos de Katniss em relação ao Peeta do que parece, e não tem motivo nenhum pra isso.
Vai. Eu já tô morto mesmo. Eu sempre estive, né? Eu não Eu não sabia até agora.  Também não faz sentido. Essa fala o torna extremamente consciente do que se passa, o que realmente não faz sentido tendo em vista o passado dele porque ele vem de um dos distritos mais ricos de Panem e o distrito mais amigo da Capital. Isso o descaracteriza, fazê-lo dizer que ele sabe que é só mais uma peça no jogo, porque ele acredita que vai ganhar, ele treinou sua vida inteira para isso, para esse momento. Algumas pessoas defendem que esse discurso faria sentido sim tendo em vista o que aconteceu com a Clove, mas isso só teria sentido SE TIVESSE A CENA NO FILME!
Não é isso? Não é isso que eles queriam? Hein?  Mais uma frase que o torna muito consciente. Não só isso, mas uma pessoa que cresceu no distrito mais feliz e seguro jamais diria uma coisa dessas sobre a Capital. Inclusive, por causa da influência da Capital, ele tem uma visão diferente sobre matar pessoas do que nós.
Não. Não não, eu ainda posso fazer isso.  Aí tem essa contradição. Há apenas alguns segundos atrás ele estava dizendo pra Katniss atirar e agora quando ela vai, ele ameaça quebrar o pescoço do Peeta, rs.
Mais uma morte. É a única coisa que eu sei fazer, 'trazer honra ao meu distrito', não que isso importe.  A conclusão, enfim. E com esse discurso o filme diz que tudo que eles nos mostraram sobre o Cato foi uma mentira, porque então de repente, do nada, ele tem uma perfeita noção do quão insignificante a Capital considera que a vida dele é. Ah, e pra finalizar, ele ainda insulta o próprio distrito. Completamente fora de personagem.
(OBS: Muito sobre esse discurso eu tirei do Tumblr! Inclusive ele está traduzido direto do inglês, então com certeza não bate com a versão dublada)

Além disso, enquanto a Clove morre, Cato se ajoelha ao lado dela. Aquele cara enorme, brutal, se ajoelha ao lado da parceira de distrito e provavelmente a segura até ela morrer. Um gesto que pode ser considerado como fraqueza aos olhos da Capital  e até mesmo aos olhos dos próprios distritos Carreiristas  mas ele o faz mesmo assim. Eu amo Everlark, é meu casal favorito pra sempre, mas pra mim, Cato e Clove foram os verdadeiros amantes desafortunados dos 74º Jogos Vorazes.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Desafio literário 2015: uma memória

Hora de tomar vergonha na cara e começar o desafio que eu postei não mais nem menos do que nove meses atrás. Caramba, se alguém engravidou nesse dia, ou a criança já nasceu ou está prestes (isto é, se a gravidez correu bem etc etc, não vamos entrar em detalhes médicos).

Resolvi começar com um dos desafios que eu não li muitos livros desse gênero literário específico. Antes de fazer alguma bobagem, resolvi procurar primeiro saber o que exatamente definia um livro de memórias. Segundo a WikiHowUm bom livro de memórias não é uma biografia; ele é uma olhadela em um tempo em que você teve um sentimento verdadeiro, uma experiência genuína. A maioria dos livros de memórias de sucesso manteve um foco estreitado em um único aspecto ou período temporal da vida do escritor. A história é contada através de uma visão específica e, como resultado, contém uma poderosa verdade sobre algo muito maior que a história individual do escritor – fazendo-a ser algo universal.
Ok, acho que eu poderia ter deixado a citação até só o primeiro ponto final, mas eu achei que era uma explicação tão legal que eu resolvi deixar completa. Tendo em vista esta explicação, minha já pequena lista diminui ainda mais: apenas um livro se encaixa nessa descrição.


Só depois de pesquisar sobre o filme fiquei sabendo que havia um livro e que era baseado em uma história real. Ao saber disso, acho que posso dizer que fiquei quase obcecada por ler o que aconteceu de verdade. Eu geralmente costumo assistir os filmes dos livros que leio e, se me interessar o suficiente, ler os livros em que os filmes foram baseados se eu já não o tiver feito antes de o filme sair. Fico muito feliz que eu tenha lido o livro depois de ter assistido o filme, se não eu teria ficado muito, muito decepcionada. Algumas pessoas não gostam de ler o livro depois porque já tem os conceitos criados pelo filme, mas eu, de alguma forma, consigo me livrar da maioria deles  apesar de admitir que fico na expectativa de essa ou determinada cena acontecerem.
O filme é muito diferente do livro. Tem algumas coisas principais, mas dá pra ficar triste pela vilanização da Lisa  mas um filme de Hollywood precisa disso, né?
Para mim foi um livro tão revelador quanto o filme, em relação às doenças psicológicas; e que eu devorei. Deitei pra ler um pouquinho e, pouco mais de duas horas depois, eu já havia terminado.

Apesar da definição da WikiHow, sempre classificam memórias e biografias juntas, então como também não li muitas, vou falar brevemente sobre as autobiografias que li também (apenas li autobiografias até hoje. Se tenho a oportunidade de ler sobre a vida de alguém do ponto de vista dela mesma, prefiro!).


A primeira que li foi Depois Daquela Viagem, da Valéria Piassa Polizzi, quando eu estava na 7ª série, aos 13 anos. Era necessário ler este livro para um trabalho ou prova, e foi muito difícil. Nele, Valéria conta como contraiu o HIV, sua descoberta da doença, como lidou (mal) com isso (no início), como ficou muito doente, e por aí vai. Foi difícil pra mim porque foi nesse exato ano que eu perdi meu tio. Talvez algum dia eu conte a história dele, mas tudo que Valéria passou, eu vi aquilo. Eu a odiei com todas as minhas forças; ela não queria viver, ela desistiu, ela viveu. Quem eu queria, não. Não é justo de minha parte pensar isso, eu sei disso hoje  mas tente pensar junto com uma adolescente de 13 anos que acabara de perder sua figura paterna.
Anos mais tarde li A Estrela Que Nunca Vai Se Apagar, que é sobre a vida da Esther Grace Earl, que foi organizado e finalizado pelos pais dela. É muito emocionante, e é tudo que eu consigo dizer, eu acho.


Depois de uma amiga tanto falar e, enfim, me emprestar, li a autobiografia do Ozzy Osbourne, Eu Sou Ozzy. Cara, as coisas que ele passou, que ele fez, que ele viu... Ler esse livro me fez lançar um olhar totalmente diferente sobre ele, e olha, sou super fã agora. Minha avó também leu, e ela também virou super fã, haha.
Por último, o Unsaid Things, do McFly. Descobri coisas sobre a banda que eu não fazia ideia, e de alguma forma gosto deles ainda mais hoje. Independentemente de serem apenas McFly ou McBusted, eu também adoro o Busted e quero mais que sejam felizes fazendo o que gostam! Eu apoio, apoio tudo!

Comecei esse post achando que isso ia ser fácil e acabou sendo um bocado mais difícil e demorado do que eu imaginava, mas é tudo culpa minha, claro. Eu que dificultei as coisas. Agora vamos ver em quanto tempo sai o próximo, hein. Até!

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Tempo perdido que nunca vai voltar

Paro pra pensar em quanto tempo não te vejo e às vezes parece pouco, às vezes parece muito. Na minha memória você ainda é uma criança de 7 anos ainda aprendendo a ler e a escrever, que ainda fala inúmeras bobagens que me divertiam e eventualmente irritavam também. Penso no quanto eu perdi também. Penso bastante nisso, pra falar a verdade. Apesar de não vê-lo há tanto tempo, tive a oportunidade de conversar com você uma vez há pelo menos dois anos, e céus, como você parecia mudado! Você me contou sobre sua paixão por Minecraft e ficou horrorizado quando eu disse que não sabia muito sobre porque achava meio bobo. Bobo?, você exclamava, ultrajado, e eu ria. Me contou sobre uma série no YouTube sobre Pokémon feita no Minecraft e que eu prometi que assistiria, mas que vergonhosamente ainda se encontra na minha aba de favoritos, intocada. Sinto muito por isso... Mas não é como se você fosse saber que eu não vi mesmo.

Hoje você completa 12 anos.
E eu sinto sua falta.
Feliz aniversário, meu irmão.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Cansaço

Tenho estado tão cansada.
Não me dedico tanto aos estudos quanto deveria, mas ainda assim, estou cansada.
Não estou trabalhando tanto quanto tento fazer parecer que trabalho, mas ainda assim, estou cansada.
Não mexo no computador com a mesma frequência de antes, mas isso não é exatamente segredo, imagino. Nem motivo de espanto, desde que vim para cá.
O que faço? Não sei direito. Acho que a cada momento livre que encontro arranjo um jeito de me deitar e fechar os olhos, esperando ansiosamente que o cansaço desapareça. Pareço dormir muito.

Porém, nunca durmo...

sábado, 7 de março de 2015

Na parede

Não era o tipo de conversa que eu queria ter hoje. Não era o tipo de conversa que eu precisava ter hoje. Era o tipo de conversa que poderia ter sido outro dia. Era o tipo de conversa que poderia ter esperado.
Meu irmão tem uma foto minha pendurada na parede de seu quarto.
Feliz.
Triste, porém.
Doce.
Amargo, também.
Agridoce.

Eu preferiria nunca ter sabido.

domingo, 1 de março de 2015

Progenitora

Minha mãe biológica está internada numa clínica de reabilitação.

Já falei sobre ela aqui antes? Já devo tê-la mencionado aqui ou ali, mas ela não é um assunto recorrente porque eu não tenho exatamente o que falar sobre ela. Então lá vai: além de ser minha progenitora, pra mim, sua característica mais importante é seu vício em crack.
Me abstenho de falar sobre ela porque geralmente as pessoas me acham insensível, o que não gosto que pensem que sou (a não ser que eu realmente esteja querendo que pensem que eu seja, então tudo bem. Mas normalmente não é esse o caso), mas sabe o que é? Eu não tenho vínculo algum com ela. Não temos uma história. Não temos laços. Não existe amor, carinho, nenhuma memória. Eu não a conheço, ela não me conhece  como posso ser tachada de insensível, e porque posso sê-lo, pelo simples motivo de não me importar com uma mulher que não conheço? Só porque ela me pariu? Pelos deuses, isso não significa que ela é minha mãe!
Sabem, ela pode ter me carregado em seu ventre por nove meses (quase dez, na verdade. Eu deveria ter nascido no fim de fevereiro, mas nasci no dia nove de março porque ela resolveu me segurar. Não faço ideia do que se passou em sua cabeça, mas ela simplesmente não contou a ninguém que estava tendo contrações há dias  eu teria nascido naturalmente não fosse a falta de dilatação. Minha pele descolava do meu corpo), mas disso ela não teve escolha. Até porque não se privou de nada durante a gestação. Bebeu, fumou  pode até ter se drogado.

Hoje eu estava tendo um dia perfeitamente agradável até resolver finalmente atender a sexta ligação da minha irmã. Eu amo minha irmã mais velha, mas eu estava na festa de aniversário de uma amiga. De alguma forma eu sabia que o que eu ouviria naquele telefonema tomaria muito de mim, e eu não queria isso. Eu não estava bem no início do dia, mas depois fiquei, não queria ficar mal de novo. Não sei como ou por que, mas eu sabia que teria a ver com ela. Mas depois de cinco ligações ignoradas, era melhor acabar logo com isso. Atendi o sexto telefonema e recebi a bomba: nossa progenitora quer me ver. Pediu que eu fosse visitá-la na clínica.
Minha irmã até me ofereceu uma data marcada inclusive, próximo domingo, dia 8. Um dia antes do meu maldito aniversário. Eu já não estou com a cabeça, com a animação, com vida o suficiente pra passar por ele, então vem isso. Chega mais isso para mutilar-me também.
Inclusive nesse momento nem tenho cabeça pra continuar qualquer coisa que tenha começado aqui. Sinto muito.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Dores reais e metafóricas

Gostaria de postar com uma frequência maior no blog. De verdade. Só que a verdade do porque eu não postar com tanta frequência no blog não é bonita, nem ao menos dá pra arrancar alguns suspiros ou fazer pensar que sou digna de pena. Eu não tenho tempo. Mas eu tenho tempo, sim. Eu não tenho o que escrever. Mas eu tenho o que escrever, sim. Se eu passasse todo o tempo que passo redigindo textos na minha cabeça, na realidade, redigindo textos de verdade, o blog não passaria mais do que alguns minutos por dia sem um post. Mas a real é que eu não sei porque não posto. Tenho preguiça e não tenho. Tenho tempo e não tenho. Tenho o que escrever e não tenho, dá pra entender?

Acho justo começar o post de verdade contando o que veio me afligindo nos últimos tempos. Bom, não me orgulho e nem digo cheia de risadinhas que pensei que estava morrendo. Tipo, de verdade. Mas pra explicar por que eu achei que estava morrendo, preciso ir um pouco mais atrás. Mais precisamente, para o Natal.
Não, eu não vou contar o que aconteceu no Natal. É só que desde essa data eu desenvolvi uma tosse insuportável, que foi só piorando, chegando ao ponto de na noite de Ano Novo eu não dormir de tanto tossir e vomitar. Inicialmente se tratava de uma crise de sinusite, mas depois quando não melhorou, o médico clínico geral me instruiu a ir até um pneumologista e foi isso que fiz. Comecei a usar uma bombinha (mas tenho uma dúvida sincera: seria uma bombinha ou um inalador? Abre-se o receptáculo e coloca-se uma pilula, fura-o e o inala. Bombinha ou inalador? Pergunta séria) e passei a sentir dores no peito. Pronto. The treta has been planted.
Rapidamente me convenci que estava com um problema cardíaco, que o problema que minha avó teve no coração estava aqui pra me pegar e que era isso mesmo. Comecei a planejar cartas para os meus amigos e familiares e um lugar fácil para serem descobertas depois que eu morresse. Escolhi o batom que passariam em mim, o vestido, o sapato (fiquei chocada ao descobrir que não nos enterram com sapatos, confesso. E triste também, apesar de realmente não ver motivo pra tal) e pedi que não deixassem meu cabelo pra trás, que deixassem minha franja intacta. Acho que planejei mais minha morte do que minha vida inteira, ou mesmo o que vou fazer amanhã ou na próxima semana. Enfim.
Nesses dias eu me tornei muito mais consciente da minha mortalidade do que de costume (o que sou sempre, desde os 13 anos de idade), e apesar de minha avó e tia verem como uma brincadeira de mau gosto ou apenas Tuane Jade e seu drama em toda sua glória, eu estava mais arrasada do que nunca. Principalmente tendo em vista que em breve completo 21 anos e com isso meu plano de saúde da polícia militar chega ao fim.
Duas semanas atrás resolvi eu mesma entrar em ação e tentar fazer alguma coisa. Minha avó já havia pedido ao meu tio (a única pessoa que tem contato com meu pai) que dissesse a ele que os documentos estavam prontos, faltava ele apenas assinar, mas ele não quis. Fui intervir, afinal não importava que joguinhos estivessem jogando, quem odiasse quem ou quem jogasse a culpa em quem ali, era a minha saúde que estava em risco. Meu tio não poderia me negar ajuda, certo? E meu pai, ele não havia dito que não tinha problema nenhum comigo? Eu tinha certeza que tinha tudo resolvido.
Fui até a casa do meu tio e levei minha bombinha (inalador?). Planejei um semi discurso que não deu exatamente certo, porque eu comecei a chorar. Céus, como me odiei por chorar! Apesar de apenas desconfiar, já disse de cara que estava com problema no coração e que precisava, necessitava que ele falasse com meu pai. Ele, sério, me pediu que esperasse. Disse que meu pai chegaria dentro de minutos, porque meus primos foram viajar com ele e ele os estava trazendo.
Então eu esperei. Ouvi um carro parando, portas sendo abertas e fechadas, e então, a voz dela. Da mulher. Não ouvi a voz dele, entretanto. Talvez ele não tenha vindo, eu pensei. Mas eles demoravam. E eu ainda escutava a voz dela. Então mais barulho de portas se abrindo e fechando, carro ligando, carro partindo.
Meu tio sobe e me diz que ele não quis me ver, simplesmente. Lhe perguntei se ele contou a ele. Sim, ele contou. E ainda assim não quis me ver. Mandou dizer que era só arranjar os documentos que ele assinaria. Mas os documentos já estão prontos!, eu explodi, minha voz embargada. Eu me sentia humilhada, envergonhada. Ele não havia dito que não tinha problema nenhum comigo? E agora ele não quer me ver? Há pouco tempo ele não precisou de mim, não precisou de um número meu, não me chamou de filha então, pra simplesmente dizer que não quer me ver? 
Meu coração doeu muito nesse dia, e não num sentido figurado. Meu peito doía tanto que silenciosamente me perguntava se acabaria ali. Seria tão conveniente, não é mesmo? Sabe, agora que eu sei que não tenho problemas cardíacos (fiz um ecocardiograma  ultrassom do coração  hoje), estou começando a acreditar e me pergunto se é possível um coração ser partido tantas vezes, ser tão esmigalhado, que a dor se torne real.
A parte boa de tudo isso é que acabou a palhaçada. Meu tio agora não mais tenta enfeitar, dizendo que o povo de lá não se importa conosco, que não perguntam, que não falam de nós, que ignoram nossa existência. Ele depois, irritado, esbravejava que a esposa de meu progenitor não gosta de ninguém, e que eles todos querem nos foder, entre outras coisas. Isso? Isso foi bom.
Tirei também uma lição pra mim. Nesses anos todos tentei ao máximo me abster, tentei correr atrás dele algumas vezes. Procurava em minha cabeça ações, palavras, qualquer coisa que me fizesse acreditar que ele me amava, que estava sendo controlado de alguma forma, mas não, agora eu sei. Ele está exatamente aonde quer estar.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Resoluções de ano novo

O título do post dá a entender que eu vá fazer dessas coisas, mas não exatamente. Acho que no passado já até tentei fazer, mas como está escrito no dicionário, o significado de resolução de ano novo é coisas que todos prometem, mas que ninguém realmente faz, então porque se incomodar? Tento manter minha hipocrisia em níveis baixos ou em outros assuntos.
Minha resolução pra 2015 é única e relativamente simples. Mas ao mesmo tempo que é simples, é complicada e perigosa, pois mexe com a minha saúde e também com as pessoas ao meu redor, embora, sinceramente? Estou pouco me lixando para as pessoas ao meu redor em relação a este assunto. Quem vai sofrer sou eu. Quem vai passar mal sou eu. Quem vai ficar nauseada, ter vertigens, sou eu. Quem vai ter crise de abstinência sou eu. Se não ficou claro, eis a resposta: quero parar de tomar remédios. 
Agora nesse último trimestre de 2014 foram enfim completos seis anos desde que comecei tratamento psiquiátrico. Seis anos que faço uso de antidepressivos. 
Estou prestes a completar 21 anos e, olhando pra trás, olhando agora, olhando pra frente, não sei quem sou. Não sei que tipo de pessoa eu era. Não sei que tipo de pessoa eu sou. Não sei que tipo de pessoa eu seria não fossem os medicamentos. Eu seria diferente? O que me tornei é por causa deles? O que eu sou? Quem eu sou? Quem sou eu?

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Você vem, você vem para a árvore?

Maravilhoso. Incrível. Extraordinário. Perfeito. Estupendo. Abracadabrante! A Esperança  Parte 1, ou Mockingjay, como eu prefiro, foi simplesmente de tirar o fôlego. Não sou lá uma das pessoas mais parciais quando se trata de Jogos Vorazes, então não espere isso agora, hauhauha. Entretanto, vou apontar o que gostei e as raras partes que não curti muito, o que acho que faltou e o que eu acho que ficou demais.

Se você não gosta de Jogos Vorazes, não prossiga. Se você ainda não assistiu o novo filme da franquia, não prossiga. Este post conterá muitos, MUITOS spoilers, não só do filme quanto do livro, então não diga que eu não avisei! Então se você continuar é por sua conta. ;) SPOILERS ADIANTE!

Me diz, você vem para a árvore?

domingo, 26 de outubro de 2014

Unromantic

Há semanas eu não pegava meu iPod e fazia uma das coisas que mais amo, que mais me deixam feliz: ouvir música (e cantar!) enquanto balanço o mais alto que conseguir na rede.
Me sinto livre. Desde criança essa sempre foi uma das minhas maiores alegrias, eu, meu discman e algum CD de Sandy &; Junior ou Backstreet Boys! Haha.
Enquanto cantava, me percebi um pouco deslocada ao cantar canções românticas, porque... Eu não tenho ninguém pra dedicar. Bom, vou tentar explicar melhor porque eu definitivamente não estou reclamando de falta de namorado. Eu cantava e, depois de perceber o meu desconforto, pude ver que cada música romântica que aparecia minha mente inconscientemente escaneava meu cérebro em busca de alguém pra visualizar. Isso foi esquisito. Mas como fiquei de explicar e não expliquei, o que venho tentando dizer é que é estranho não gostar de alguém. Uma vez li que a pessoa do signo de peixes precisa estar constantemente apaixonado - não necessariamente em um relacionamento, apenas apaixonado - e acho que posso dizer sim que é verdade. Alguns anos atrás estive apaixonada por um garoto que era um ano adiantado a mim na escola, e apesar de não ter sido recíproco, foi uma época deliciosa. Houve sofrimento, sim, como quando eu caía em mim que ele não gostava de mim e a possibilidade disso acontecer era basicamente nula, mas no resto do tempo era bom. Era bom, sabe? Agora mais uma vez me encontro vazia a não ser com todo o cansaço e raiva que existem constantemente em mim, me sentindo melhor cantando músicas como The Phoenix, Tonight The World Dies, entre outras, e sendo muito passional quanto à isso porque exigem apenas o ódio e a tristeza em mim enraizados.



Tá bom, minto. Talvez eu não possa dizer realmente que não há ninguém em minha mente, mas como posso fazer isso sem soar pancada? Digo, acho que é de conhecimento geral que tenho uma queda imensa por um certo ator romeno. Massssssssssss acho que isso não conta, não. Mas sabe, odeio gostar dele assim. Acho que posso assinar meu certificado de doida, haha. Ai, quão inconveniente... Seb, porque não continuastes na Romênia? ):

terça-feira, 22 de julho de 2014

Granada

Ontem eu assisti A Culpa É Das Estrelas pela segunda vez e preciso dizer que estou levemente fragilizada, haha. Acho interessante que eu tenha me lembrado exatamente do dia em que eu vi o livro pela primeira vez e o comprei, não fazendo ideia do que se tratava realmente. Vi a capa azul  cujo tom, diga-se de passagem, é um dos meus favoritos  e o título e achei legal. Li o que estava escrito no fundo e achei promissor. Quando cheguei em casa e comecei a ler, logo nas 20 primeiras páginas eu já estava me desmanchando em lágrimas. Basicamente chorei o livro inteiro, várias vezes de soluçar mesmo. Não é segredo que depois da morte do meu tio eu me tornei muito mais sensível em relação a morte e para com aqueles que veem alguém querido morrendo. Então realmente não é segredo algum que eu senti, e senti muito, este livro (e, eventualmente, filme). Uma coisa que eu não aguento é quando dizem é só um livro/filme! ou eu não chorei nem nada porque eu sei que não é verdade. E precisa? Pra quem passou por isso, pra quem entende, pra quem já perdeu alguém, independente de ser verdade, mentira; você sente. Você entende. E você sofre por isso.

Uma coisa que penso desde quando li o livro e todas as vezes que era mencionado é quando Hazel diz que é uma granada. Ela clama que um dia explodirá e destruirá tudo ao seu redor, então acha que é seu dever diminuir o dano o tanto quanto possível. Mas o que me vem a cabeça desde a primeira vez é: e não somos todos? Digo, não somos todos granadas? Pelo menos todos que amamos e somos amados? Pra mim, não somos exatamente granadas. Pode-se ver como se fôssemos bombas, com pavios  ou, se preferir, trilhas de pólvora  de diferentes tamanhos. Morrer não é um privilégio do câncer. Não é como se fôssemos seres imortais cuja única fraqueza, única forma de perecer é quando o corpo desenvolve a doença. Um dia todos cairemos. E como eu falei em relação a bombas e pavios, alguns tem pavios ou trilhas bem longas, outros tem mais curtas, outros as tem encurtadas. Mas o negócio é que todas estão acesas. Não nascemos e começamos a viver, nós nascemos e começamos a morrer. Pode soar muito mórbido, mas é assim... Estamos sujeitos à morte a todo momento. Esteja você doente ou não.
Somos todos bombas porque quando explodirmos machucaremos quem ficar para trás. Não há como evitar, você ferirá e será ferido. Seja fictícia ou não, fico satisfeita que, no fim, Hazel parece ter percebido isso. Até mesmo eu, que ao ler também havia me identificado com a granada  mesmo com meu tumor benigno já ter sido extraído há algum tempo (por falar nisso, dia 31 de julho completará 5 anos desde a minha cirurgia! Eeeee!).

Ainda doi. E muito. Mas esse é o problema da dor, ela precisa ser sentida.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Longe

Na maioria do tempo eu tenho o sentimento esquisito de que eu estou longe, ou de que eu não estou realmente aqui. Como se eu estivesse uma cena em que eu não estou participando ativamente, uma tela, um filme, e eu estou apenas assistindo. Veja bem: não estou falando por metáforas (sei que as uso bastante), dessa vez é algo... real? Digo, o que é real? Às vezes coisas que eu sonho parecem mais verdadeiras do que eu vivencio. Sinto que o que estou escrevendo é confuso e admito, completamente frustrada, que não está saindo de forma alguma como eu imaginei e tentei planejar. Tenho pensado nesse post há dias, será que se o tivesse feito antes, ele teria saído melhor? Oh, bem. O negócio é que eu sou uma grande expectadora. Acho que passei e passo tanto tempo apenas assistindo que agora eu realmente me sinto que não estou ali. Mesmo que as atenções estejam em mim, nos momentos em que essa coisa toma conta, parece que não sou eu. Apenas observo, assisto, vejo, sem nunca sentir.


terça-feira, 25 de março de 2014

20

Meu aniversário chegou e foi embora da mesma forma: sem animação, sem alarde, sem sentimento. Agora eu tenho 20 anos. Caramba. Agora eu tenho 20 anos e o medo de chegar mais além na minha vida sem ter feito nada consistente apenas aumenta. Algum dia isso melhora? Porque meus exemplos mais próximos querem me dizer que sim, mas eu sei que, por dentro, eles gritam que não. Eu consigo ver através deles, conheço suas lutas. E mais uma vez me pergunto se eu deveria vê-las. Se deveria reconhecê-las por travá-las também dentro de mim. 20 anos, jovem demais para senti-las. Jovem demais para tê-las visto. Jovem demais, sim, mas tente dizer isso para as coisas que senti. Tente dizer para as coisas que vi. Tente dizer. Tente.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Depressão pré aniversário

Há alguns dias foi o aniversário da minha tia e o da minha prima, e desde antes disso eu já vinha sentindo minha própria depressão pré aniversário. Já há alguns anos eu me sinto desse jeito, mas, ao observar minha tia e como ela se sente e se porta em relação ao seu aniversário, me pergunto se eu já não ficaria assim independentemente da morte do meu tio ou não. O fato dela ter acontecido somente acelerou tal processo.

O aniversário da minha prima é dois dias antes do aniversário da mãe, e ela implorou que fosse feita uma festa do pijama, e assim foi. Eu fui convocada pra ajudar. Não é como se eu realmente tivesse uma escolha, inclusive. No dia seguinte houve um churrasco com a família, e alguns pais que iam buscar suas filhas acabavam ficando por lá um tempinho. Minha tia passou seu aniversário inteiro fazendo comida, limpando e lavando louça e servindo pessoas. Não posso dizer que fui uma pessoa caridosa e a aliviei de suas tarefas, mas, afinal, eu fiz o que me foi pedido, não fiz? Fui babá das meninas e até fiz umas coisas aleatórias. Pra completar, no final do dia, a cunhada dela ainda lhe fez o favor de deixar o filho e mais um menino lá sob supervisão da minha tia. Eu sabia que ela estava cansada, quase morta, na realidade. Eu deveria ter dito algo, feito com que a cunhada visse a razão que ela tão convenientemente não via, que se os dois meninos quisessem brincar juntos que ela os levasse para sua própria casa. Mas não foi o que eu fiz. Eu recolhi minhas coisas e esperei ansiosamente para ir pra casa. Porque eu não falei por ela? Já fiz isso tantas vezes. Já falei coisas por minha avó e já fui tão malvista antes, porque não fiz novamente? Gostaria de tê-lo feito.

E tudo isso só ajudou a piorar o que eu já sentia. Qual o motivo de eu não gostar de aniversário? O que, de fato, eu não gosto: de comemorar o aniversário ou fazê-lo? No fundo, a realidade seria que eu não gostaria de ter nascido? Ao mesmo tempo que não quero comemora-lo, parece errado não fazê-lo. Não exatamente parece errado  ou pareça, eu realmente não sei , mas é como se realmente não houvesse outra data pra reunir pessoas queridas na minha casa ou pra fazer algo que eu queira, sem ter algum pretexto realmente convincente. Argh, eu não sei. E quando penso sobre, a única coisa que consigo fazer é justamente, fazer sons guturais que não fazem nada a não ser mostrar frustração. Ah, frustração, minha velha amiga. Você nunca vai me deixar, não é?

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Mãe,

Mãe,
como foi quando seu
cérebro se tornou canibal? Quando
a sua mente começou a ingerir a si mesma
seu cérebro voraz, e todos os seus
pensamentos de repente tinham dentes?

Mãe,
como foi quando você perdeu
a sua sombra? Ela se embrulhou
em uma mala e deixou você para criar
os seus demônios sozinha? Você esqueceu
a forma da sua própria silhueta?

Mãe,
o espelho começou a te contar mentiras?
você olhou no vidro e viu
coragem e glória e sua própria mão
segurando o coração como um troféu? Foi
uma vitória ou um prêmio de consolação?

Mãe,
a noite você transformou a sua cama em
um campo de batalha? Você brandiu a sua
insonia como uma arma ou você
acenou seu lençol como uma bandeira branca
de rendição e se tornou vítima da guerra?

Mamãe,
por favor, quando o papai te segurou foi
como se uma guilhotina afagasse o seu pescoço?
os dedos dele foram como facas tentando
abrir a sua pele como um vestidinho preto?
você amou o seu marido ou a sua arma?

Mamãe,
por favor, eu tenho os seus olhos e eu tenho a sua
mente e quando eu me balanço como uma folha é o seu
fantasma tentando me ninar até dormir? É você
a canção de ninar na minha cabeça ou eu só preciso
aumentar a minha dosagem de novo?

Mamãezinha,
se eu seguir os seus passos, você teria
um quarto esperando por mim? Você me colocaria
na cama e beijaria a minha testa e me diria
que monstros são de livros de histórias e não
para garotinhos tentando uivar para a lua?

Mamãezinha... Você vai costurar a minha alma junta de novo?


 Mãe?, S.N. Fonte.