Como sempre, eu não sei como iniciar o meu texto – e dessa vez chega a ser um bocado mais difícil, até porque esse não é exatamente um tributo, uma homenagem, ou o que for. Acredito que este seja mais um post contemplando a morte.
Toda vez que uma pessoa famosa morre temos sempre aquelas pessoas que agem como se fosse o fim do mundo e aquelas que agem até como se fosse um insulto alguém ficar remotamente chateado pelo fato. Como para todos os outros assuntos, geralmente estes últimos são aqueles que postam comentários maldosos e afins. Acho que talvez voltarei nesse tópico mais adiante.
Uma das coisas mais chocantes da morte de uma celebridade é, talvez, o lembrete de que eles são humanos também e, como humanos, eles morrem. E com esse choque vem a contemplação da nossa própria mortalidade, e para alguns pode ser o primeiro encontro com a morte, caso nunca tenham tido algum parente querido que tenha morrido.
“Pessoas comuns morrem todos os dias”, vi uma pessoa comentando. É verdade. Mas em relação a isso eu acho que tem uma diferença – ou não sei bem se é uma diferença, e não sei se a minha linha de pensamento é compreensível (quase nunca o é para outras pessoas), mas na minha percepção as pessoas públicas de quem nós gostamos, nos identificamos, começam a fazer parte de nossas vidas às vezes de uma forma que até uma pessoa que vive próxima de nós não o faz. Conheço pessoas que não tem conexão nenhuma com os próprios parentes e não poderiam ligar menos caso aconteça algo com eles, mas se alguém com quem se identificam morrer, aí sim seria sentido. A pessoa pode não nos conhecer, mas nós o conhecemos. De alguma forma isso parece bastar, porque alguns trabalhos realmente salvam vidas. Seja uma música, um filme, livro, desenho, pintura.
Não sou hipócrita a ponto de dizer que sou fã de carteirinha do David Bowie. Não conhecia o trabalho completo dele, conhecia bem pouquinho, mas o admirava. Ele foi uma pessoa fantástica, à frente de seu tempo; e mesmo que ELE nunca tenha ME conhecido, fico feliz por saber que vivi na mesma época em que ele também esteve vivo.
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Paralelos
Ontem o dia mal começou já com uma notícia triste: o pai de um dos amigos da minha prima faleceu.
Ele tinha câncer e estava doente há muito tempo, mas acho que não adianta quanto tempo você tenha para se “preparar”, você nunca está pronto de verdade. Esse amigo, desde que o conheci e tomei conhecimento da doença de seu pai, não pude deixar de notar algumas semelhanças entre nós, este triste algo em comum que nós temos.
Eu espero tanto que o futuro dele não seja como os sete anos seguintes à minha perda. Espero tanto que seja diferente, que ele se saia melhor. Sei que não depende de mim, mas pretendo fazer tudo ao meu alcance para ajudá-lo. Eu realmente espero que dê tudo certo.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Sonhos crueis
Algumas pessoas se sentem agraciadas e felizes ao sonharem com entes queridos falecidos, mas eu não. Minha avó, por exemplo, em seis anos de morte do meu tio, se não me engano sonhou com ele apenas uma vez... Mas eu, ah, já eu acho cruel. No início era bom sonhar com ele. Mas agora, quando acontecem (e um bocado frequentemente), são sonhos onde nossas vidas continuaram como se a dele nunca tivesse terminado. E isso doi. Neles eu sei que alguma coisa está errada. Em alguns eu mesma me pergunto: “mas ele não morreu? O que está acontecendo?”, e é simplesmente péssimo. São fragmentos de um futuro e um presente que não tive, não tenho, e nunca terei. Cruel.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Princesa Mecânica
Acabei de traduzir por completo o livro Princesa Mecânica e, nesse momento, não há algo que me descreve melhor do que dizer que me sinto infinita. Não achava ser possível se identificar mais com um livro do que já fazia antes, mas aparentemente é e o fiz. Me pergunto se tradutores geralmente são acometidos por tais sentimentos ou se é uma coisa própria, totalmente e completamente minha. Talvez seja.
Já chorei com muitos livros. Nesse, chorei de tristeza, chorei de desespero, e uma coisa inédita: chorei de felicidade. Sim, já chorei com muitos livros. Mas de felicidade foi a primeira vez. Quanto ao choro, inclusive, é algo que eu gostaria de tratar num outro post, mas, no momento, tudo é Clockwork Princess e nada doi (mentira, tudo doi!).
“Porque você se deu o trabalho de traduzir o livro?” muitas pessoas me perguntaram. Bom, um dos maiores motivos é o fato de não ter previsão dele ser lançado em português e, muito menos, alguma tradução disponível, e eu queria muito, muito mesmo, que minha avó lesse. Me coloquei a traduzir assim que terminei de ler, e demorei – não tinha ideia do quão exaustivo seria traduzir um livro! Trabalhoso também. Mas devo admitir que demorei mais porque deixei de traduzir por vários dias. Foi trabalhoso e exaustivo, mas agora sinto falta. Minha avó me aconselhou a traduzir outro livro, mas não é do ato de traduzir que eu sinto falta. Eu sinto falta desse livro. Sinto falta desses personagens. Sinto falta dos meus amores, de uma forma que nem mesmo Harry Potter me fez sentir.
As Peças Infernais se tornou, definitivamente, uma das minhas séries/trilogias favoritas. Se compara a Jogos Vorazes no quesito “o que causou em mim”. Amo tanto, tanto, todos os personagens... Will. Oh, Will. Oh, meu Will. Não apenas o Will, mas me senti tão profundamente conectada com ele. E com a Tessa também. Ambos são como representações minhas... Talvez do que eu gostaria de ser, do que eu gostaria de ter, do que eu gostaria de conseguir. Como uma vez, no Príncipe Mecânico, disse meu querido Will Herondale:
“Foram os livros que me fizeram sentir que talvez eu não estava completamente sozinho. Eles poderiam ser honestos comigo, e eu com eles.”
Apesar de saber agora que em meados de novembro o livro será lançado aqui no Brasil, se alguém quiser lê-lo, traduzido com muito carinho e amor por mim, ficarei feliz em passar. Qualquer coisa é só me contatar no facebook ou no twitter (deixando claro que eu não estou ganhando nada com isso, e nem pretendo usar nada disso para fins comerciais). ;)
PS: Preparem-se para um Desafio de, possivelmente 30 dias, das Peças Infernais em breve, haha!
Tags:
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quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Um homem só
As lágrimas secam e eu me esqueço
Que todo fim é sempre um outro começo
Tantas palavras, tantos arranhões
Transformando milagres em desilusões
Quando a noite cai eu volto aqui onde sempre estou
Quando o sol se vai eu volto a ser o que sempre sou:
Um homem só, um homem só
Amar é viver desaprendendo
Eu nunca espero nem me arrependo
Falando a verdade sem motivo
Revelando o segredo por trás do sorriso
Quando a noite cai eu volto aqui onde sempre estou
Quando o sol se vai eu volto a ser o que sempre sou:
Um homem só, um homem só
Quando a noite cai eu volto aqui onde sempre estou
Quando o sol se vai eu volto a ser o que sempre sou:
Um homem só, um homem só
“Um Homem Só”, Capital Inicial.
R.I.P.
Marcus Vinícius da Costa
★ 17/09/1963
★ 17/09/1963
✝ 24/05/2007
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Meu primeiro pai
Se estivesse vivo hoje meu avô paterno estaria completando 82 anos de idade. Falecido há 14 anos, sinto muito em dizer que não tenho muitas lembranças dele; mas as histórias que ouço sobre grande parte de sua vida – como seu relacionamento com minha avó e filhos – me deixam estupefata, pois em nenhuma delas consigo identificar o homem que conheci. Histórias antigas mostram como ele não tinha problema algum em humilhar a esposa ou os filhos, como era de certa forma maldoso e como parecia mais disposto a ajudar os amigos e conhecidos do que a própria família; de forma alguma parecido com o senhor carinhoso, que me chamava de linda, que me trazia caramelos todos os dias. O mesmo que me levava sempre a uma mini-praça (que aliás, nem deveria chamá-la assim, apesar de que se não chamar de praça, como a definirei? Não tenho ideia do que era) porque eu adorava escalar uma pedra imensa e me sentir como se fosse a dona do mundo, do alto dela.
Talvez a idade o tenha mudado. Talvez meu nascimento o tenha mudado. Gosto de pensar que tenha sido esse o motivo e também fico satisfeita por outras pessoas pensarem da mesma maneira. Apesar de, como eu disse anteriormente, ele ter se tornado uma outra pessoa quando nasci, não muda o passado e as lembranças de que nem sempre ele foi assim. Ainda hoje eu não sei se tenho – ou mesmo se seria capaz – de formar uma opinião sobre isso e sobre ele, mas sei que não vou, não posso e nem deveria classificá-lo como algo em particular. Afinal, quem sou para isso? Quem sou eu pra dizer se ele foi uma pessoa boa ou uma pessoa ruim? Até porque não acho que existam pessoas inteiramente boas e/ou pessoas inteiramente ruins. Todo bem há um pouco de mal e vice versa.
Não tenho muitas lembranças dele e nem ao menos me lembro de sua voz (algo que lamento), mas foi incrivelmente especial para mim. Por cinco anos ele foi meu pai – e por muito tempo foi ele o único a quem eu conseguia me referir e chamar de pai. Aliás, não o chamava apenas de pai, mas sempre de papai. Também o homenageei colocando seu nome – João – no meu cachorro (qual é, eu tinha cinco anos!), meu primeiro, um poodle preto que tinha uma adorável mancha branca como se fosse um cavanhaque e uma outra no peito, como se fosse uma gravata. Apesar dos pesares é com alegria que digo que não importa o que tenha acontecido no passado, ele ainda é lembrado, e com carinho. Papai, amo você!
Talvez a idade o tenha mudado. Talvez meu nascimento o tenha mudado. Gosto de pensar que tenha sido esse o motivo e também fico satisfeita por outras pessoas pensarem da mesma maneira. Apesar de, como eu disse anteriormente, ele ter se tornado uma outra pessoa quando nasci, não muda o passado e as lembranças de que nem sempre ele foi assim. Ainda hoje eu não sei se tenho – ou mesmo se seria capaz – de formar uma opinião sobre isso e sobre ele, mas sei que não vou, não posso e nem deveria classificá-lo como algo em particular. Afinal, quem sou para isso? Quem sou eu pra dizer se ele foi uma pessoa boa ou uma pessoa ruim? Até porque não acho que existam pessoas inteiramente boas e/ou pessoas inteiramente ruins. Todo bem há um pouco de mal e vice versa.
Não tenho muitas lembranças dele e nem ao menos me lembro de sua voz (algo que lamento), mas foi incrivelmente especial para mim. Por cinco anos ele foi meu pai – e por muito tempo foi ele o único a quem eu conseguia me referir e chamar de pai. Aliás, não o chamava apenas de pai, mas sempre de papai. Também o homenageei colocando seu nome – João – no meu cachorro (qual é, eu tinha cinco anos!), meu primeiro, um poodle preto que tinha uma adorável mancha branca como se fosse um cavanhaque e uma outra no peito, como se fosse uma gravata. Apesar dos pesares é com alegria que digo que não importa o que tenha acontecido no passado, ele ainda é lembrado, e com carinho. Papai, amo você!
R.I.P.
João P. da Costa
★ 07/06/1931
✝ 19/06/1999
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