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segunda-feira, 25 de julho de 2016

Os Homens Ocos

Os homens ocos
T.S. Eliot, tradução Ivan Junqueira

I
Nós somos os homens ocos
Os homens empalhados
Uns nos outros amparados
O elmo cheio de nada. Ai de nós!
Nossas vozes dessecadas,
Quando juntos sussurramos,
São quietas e inexpressas
Como o vento na relva seca
Ou pés de ratos sobre cacos
Em nossa adega evaporada

Fôrma sem forma, sombra sem cor
Força paralisada, gesto sem vigor;

Aqueles que atravessaram
De olhos retos, para o outro reino da morte
Nos recordam  se o fazem  não como violentas
Almas danadas, mas apenas
Como homens ocos
Os homens empalhados.

II
Os olhos que temo encontrar em sonhos
No reino de sonho da morte
Estes não aparecem:
Lá, os olhos são como a lâmina
Do sol nos ossos de uma coluna
Lá, uma árvore brande os ramos
E as vozes estão no frêmito
Do vento que está cantando
Mais distantes e solenes
Que uma estrela agonizante.

Que eu demais não me aproxime
Do reino de sonho da morte
Que eu possa trajar ainda
Esses tácitos disfarces
Pele de rato, plumas de corvo, estacas cruzadas
E comportar-me num campo
Como o vento se comporta
Nem mais um passo

Não este encontro derradeiro
No reino crepuscular

III
Esta é a terra morta
Esta é a terra do cacto
Aqui as imagens de pedra
Estão eretas, aqui recebem elas
A súplica da mão de um morto
Sob o lampejo de uma estrela agonizante.

E nisto consiste
O outro reino da morte:
Despertando sozinhos
A hora em que estamos
Trêmulos de ternura
Os lábios que beijariam
Rezam as pedras quebradas.

IV
Os olhos não estão aqui
Aqui os olhos não brilham
Neste vale de estrelas tíbias
Neste vale desvalido
Esta mandíbula em ruínas de nossos reinos perdidos

Neste último sítio de encontros
Juntos tateamos
Todos à fala esquivos
Reunidos na praia do túrgido rio

Sem nada ver, a não ser
Que os olhos reapareçam
Como a estrela perpétua
Rosa multifoliada
Do reino em sombras da morte
A única esperança
De homens vazios.

V
Aqui rondamos a figueira-brava
Figueira-brava, figueira-brava
Aqui rondamos a figueira-brava
Às cinco em ponto da madrugada

Entre a ideia
E a realidade
Entre o movimento
E a ação
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino

Entre a concepção
E a criação
Entre a emoção
E a reação
Tomba a Sombra
A vida é muito longa

Entre o desejo
E o espasmo
Entre a potência
E a existência
Entre a essência
E a descendência
Tomba a Sombra
Porque Teu é o Reino

Porque Teu é
A vida é
Porque Teu é

Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Assim expira o mundo
Não com uma explosão, mas com um suspiro.

Disparidades

Depois de meses eu finalmente voltei a assistir Doctor Who. Passei anos contemplando a possibilidade de começar a assistir a série, então comecei, e depois parei. Agora pretendo continuar e quem sabe consigo alcançar a galera... daqui há alguns anos, conhecendo a mim mesma e ao meu ritmo, haha.
Sábado eu estava assistindo o 6º episódio da 3ª temporada, The Lazarus Experiment, e fiquei encantada quando um personagem recita parte de um poema que eu conhecia. Não me considero expert em poesia  na verdade não conheço quase nenhuma, mas sempre fico em estado de êxtase quando eu entendo alguma referência, e por lembrar tão vividamente assim de uma poesia, acima de todas as coisas, foi bem importante pra mim.
Encontrei um trecho do poema, mais especificamente o final, em um dos livros que li alguns anos atrás. Tratei de procurar e li, em inglês mesmo, The Hollow Men (Os Homens Ocos) e de alguma forma o poema ficou em mim. Anos depois, o reencontro novamente, e desta vez acabo por lê-lo em português também e é este o motivo do post.
É muito estranho e maravilhoso entender mais do que uma língua!
Talvez seja a maneira que as palavras soam, mas em português eu não senti a mesma coisa que senti quando li em inglês.
E são tantas outras palavras.
Tantas outras expressões que não parecem certas ditas em português, ou em inglês mesmo. Me incomoda tanto pensar ou falar alguma coisa que não parece certo porque não está na língua certa.
O poema continua impactante, mas não da mesma forma. Não pra mim. Queria tanto poder encontrar uma explicação satisfatória pra isso...

Em seguida mais dois posts: um com o poema traduzido, e outro, com o original.
- Os Homens Ocos;
- The Hollow Men.


terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Bowie

Como sempre, eu não sei como iniciar o meu texto  e dessa vez chega a ser um bocado mais difícil, até porque esse não é exatamente um tributo, uma homenagem, ou o que for. Acredito que este seja mais um post contemplando a morte.
Toda vez que uma pessoa famosa morre temos sempre aquelas pessoas que agem como se fosse o fim do mundo e aquelas que agem até como se fosse um insulto alguém ficar remotamente chateado pelo fato. Como para todos os outros assuntos, geralmente estes últimos são aqueles que postam comentários maldosos e afins. Acho que talvez voltarei nesse tópico mais adiante.
Uma das coisas mais chocantes da morte de uma celebridade é, talvez, o lembrete de que eles são humanos também e, como humanos, eles morrem. E com esse choque vem a contemplação da nossa própria mortalidade, e para alguns pode ser o primeiro encontro com a morte, caso nunca tenham tido algum parente querido que tenha morrido.
Pessoas comuns morrem todos os dias, vi uma pessoa comentando. É verdade. Mas em relação a isso eu acho que tem uma diferença  ou não sei bem se é uma diferença, e não sei se a minha linha de pensamento é compreensível (quase nunca o é para outras pessoas), mas na minha percepção as pessoas públicas de quem nós gostamos, nos identificamos, começam a fazer parte de nossas vidas às vezes de uma forma que até uma pessoa que vive próxima de nós não o faz. Conheço pessoas que não tem conexão nenhuma com os próprios parentes e não poderiam ligar menos caso aconteça algo com eles, mas se alguém com quem se identificam morrer, aí sim seria sentido. A pessoa pode não nos conhecer, mas nós o conhecemos. De alguma forma isso parece bastar, porque alguns trabalhos realmente salvam vidas. Seja uma música, um filme, livro, desenho, pintura.
Não sou hipócrita a ponto de dizer que sou fã de carteirinha do David Bowie. Não conhecia o trabalho completo dele, conhecia bem pouquinho, mas o admirava. Ele foi uma pessoa fantástica, à frente de seu tempo; e mesmo que ELE nunca tenha ME conhecido, fico feliz por saber que vivi na mesma época em que ele também esteve vivo.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Paralelos

Ontem o dia mal começou já com uma notícia triste: o pai de um dos amigos da minha prima faleceu.
Ele tinha câncer e estava doente há muito tempo, mas acho que não adianta quanto tempo você tenha para se preparar, você nunca está pronto de verdade. Esse amigo, desde que o conheci e tomei conhecimento da doença de seu pai, não pude deixar de notar algumas semelhanças entre nós, este triste algo em comum que nós temos.
Eu espero tanto que o futuro dele não seja como os sete anos seguintes à minha perda. Espero tanto que seja diferente, que ele se saia melhor. Sei que não depende de mim, mas pretendo fazer tudo ao meu alcance para ajudá-lo. Eu realmente espero que dê tudo certo.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

The Yorkie Chronicles: 6 meses de Ziva

Esquilo doido continua doido.

Ela é uma cachorrinha muito engraçada, mas é de partir o coração vê-la tentando brincar com a Mia, que está com a barriguinha tão grande que mal aguenta andar. Os filhotes vão nascer em breve.

A parceria continua no Ying-Yang canino.

Curiosa dentro da máquina (mas só desligada!)

Voltei de viagem hoje e morri de saudades dos meus bebês ♥.