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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Literário expresso 7

Pegue o livro mais próximo e siga as seguintes instruções:

 Abra na página 181;
 Procure a 5ª frase completa;
 Não escolha a melhor frase ou o melhor livro;
 Poste o trecho.

Assim ele tinha mergulhado no mar e fugido.”  Percy Jackson e os Deuses GregosRick Riordan.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Cansaço

Tenho estado tão cansada.
Não me dedico tanto aos estudos quanto deveria, mas ainda assim, estou cansada.
Não estou trabalhando tanto quanto tento fazer parecer que trabalho, mas ainda assim, estou cansada.
Não mexo no computador com a mesma frequência de antes, mas isso não é exatamente segredo, imagino. Nem motivo de espanto, desde que vim para cá.
O que faço? Não sei direito. Acho que a cada momento livre que encontro arranjo um jeito de me deitar e fechar os olhos, esperando ansiosamente que o cansaço desapareça. Pareço dormir muito.

Porém, nunca durmo...

sábado, 7 de março de 2015

Na parede

Não era o tipo de conversa que eu queria ter hoje. Não era o tipo de conversa que eu precisava ter hoje. Era o tipo de conversa que poderia ter sido outro dia. Era o tipo de conversa que poderia ter esperado.
Meu irmão tem uma foto minha pendurada na parede de seu quarto.
Feliz.
Triste, porém.
Doce.
Amargo, também.
Agridoce.

Eu preferiria nunca ter sabido.

domingo, 1 de março de 2015

Progenitora

Minha mãe biológica está internada numa clínica de reabilitação.

Já falei sobre ela aqui antes? Já devo tê-la mencionado aqui ou ali, mas ela não é um assunto recorrente porque eu não tenho exatamente o que falar sobre ela. Então lá vai: além de ser minha progenitora, pra mim, sua característica mais importante é seu vício em crack.
Me abstenho de falar sobre ela porque geralmente as pessoas me acham insensível, o que não gosto que pensem que sou (a não ser que eu realmente esteja querendo que pensem que eu seja, então tudo bem. Mas normalmente não é esse o caso), mas sabe o que é? Eu não tenho vínculo algum com ela. Não temos uma história. Não temos laços. Não existe amor, carinho, nenhuma memória. Eu não a conheço, ela não me conhece  como posso ser tachada de insensível, e porque posso sê-lo, pelo simples motivo de não me importar com uma mulher que não conheço? Só porque ela me pariu? Pelos deuses, isso não significa que ela é minha mãe!
Sabem, ela pode ter me carregado em seu ventre por nove meses (quase dez, na verdade. Eu deveria ter nascido no fim de fevereiro, mas nasci no dia nove de março porque ela resolveu me segurar. Não faço ideia do que se passou em sua cabeça, mas ela simplesmente não contou a ninguém que estava tendo contrações há dias  eu teria nascido naturalmente não fosse a falta de dilatação. Minha pele descolava do meu corpo), mas disso ela não teve escolha. Até porque não se privou de nada durante a gestação. Bebeu, fumou  pode até ter se drogado.

Hoje eu estava tendo um dia perfeitamente agradável até resolver finalmente atender a sexta ligação da minha irmã. Eu amo minha irmã mais velha, mas eu estava na festa de aniversário de uma amiga. De alguma forma eu sabia que o que eu ouviria naquele telefonema tomaria muito de mim, e eu não queria isso. Eu não estava bem no início do dia, mas depois fiquei, não queria ficar mal de novo. Não sei como ou por que, mas eu sabia que teria a ver com ela. Mas depois de cinco ligações ignoradas, era melhor acabar logo com isso. Atendi o sexto telefonema e recebi a bomba: nossa progenitora quer me ver. Pediu que eu fosse visitá-la na clínica.
Minha irmã até me ofereceu uma data marcada inclusive, próximo domingo, dia 8. Um dia antes do meu maldito aniversário. Eu já não estou com a cabeça, com a animação, com vida o suficiente pra passar por ele, então vem isso. Chega mais isso para mutilar-me também.
Inclusive nesse momento nem tenho cabeça pra continuar qualquer coisa que tenha começado aqui. Sinto muito.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Dores reais e metafóricas

Gostaria de postar com uma frequência maior no blog. De verdade. Só que a verdade do porque eu não postar com tanta frequência no blog não é bonita, nem ao menos dá pra arrancar alguns suspiros ou fazer pensar que sou digna de pena. Eu não tenho tempo. Mas eu tenho tempo, sim. Eu não tenho o que escrever. Mas eu tenho o que escrever, sim. Se eu passasse todo o tempo que passo redigindo textos na minha cabeça, na realidade, redigindo textos de verdade, o blog não passaria mais do que alguns minutos por dia sem um post. Mas a real é que eu não sei porque não posto. Tenho preguiça e não tenho. Tenho tempo e não tenho. Tenho o que escrever e não tenho, dá pra entender?

Acho justo começar o post de verdade contando o que veio me afligindo nos últimos tempos. Bom, não me orgulho e nem digo cheia de risadinhas que pensei que estava morrendo. Tipo, de verdade. Mas pra explicar por que eu achei que estava morrendo, preciso ir um pouco mais atrás. Mais precisamente, para o Natal.
Não, eu não vou contar o que aconteceu no Natal. É só que desde essa data eu desenvolvi uma tosse insuportável, que foi só piorando, chegando ao ponto de na noite de Ano Novo eu não dormir de tanto tossir e vomitar. Inicialmente se tratava de uma crise de sinusite, mas depois quando não melhorou, o médico clínico geral me instruiu a ir até um pneumologista e foi isso que fiz. Comecei a usar uma bombinha (mas tenho uma dúvida sincera: seria uma bombinha ou um inalador? Abre-se o receptáculo e coloca-se uma pilula, fura-o e o inala. Bombinha ou inalador? Pergunta séria) e passei a sentir dores no peito. Pronto. The treta has been planted.
Rapidamente me convenci que estava com um problema cardíaco, que o problema que minha avó teve no coração estava aqui pra me pegar e que era isso mesmo. Comecei a planejar cartas para os meus amigos e familiares e um lugar fácil para serem descobertas depois que eu morresse. Escolhi o batom que passariam em mim, o vestido, o sapato (fiquei chocada ao descobrir que não nos enterram com sapatos, confesso. E triste também, apesar de realmente não ver motivo pra tal) e pedi que não deixassem meu cabelo pra trás, que deixassem minha franja intacta. Acho que planejei mais minha morte do que minha vida inteira, ou mesmo o que vou fazer amanhã ou na próxima semana. Enfim.
Nesses dias eu me tornei muito mais consciente da minha mortalidade do que de costume (o que sou sempre, desde os 13 anos de idade), e apesar de minha avó e tia verem como uma brincadeira de mau gosto ou apenas Tuane Jade e seu drama em toda sua glória, eu estava mais arrasada do que nunca. Principalmente tendo em vista que em breve completo 21 anos e com isso meu plano de saúde da polícia militar chega ao fim.
Duas semanas atrás resolvi eu mesma entrar em ação e tentar fazer alguma coisa. Minha avó já havia pedido ao meu tio (a única pessoa que tem contato com meu pai) que dissesse a ele que os documentos estavam prontos, faltava ele apenas assinar, mas ele não quis. Fui intervir, afinal não importava que joguinhos estivessem jogando, quem odiasse quem ou quem jogasse a culpa em quem ali, era a minha saúde que estava em risco. Meu tio não poderia me negar ajuda, certo? E meu pai, ele não havia dito que não tinha problema nenhum comigo? Eu tinha certeza que tinha tudo resolvido.
Fui até a casa do meu tio e levei minha bombinha (inalador?). Planejei um semi discurso que não deu exatamente certo, porque eu comecei a chorar. Céus, como me odiei por chorar! Apesar de apenas desconfiar, já disse de cara que estava com problema no coração e que precisava, necessitava que ele falasse com meu pai. Ele, sério, me pediu que esperasse. Disse que meu pai chegaria dentro de minutos, porque meus primos foram viajar com ele e ele os estava trazendo.
Então eu esperei. Ouvi um carro parando, portas sendo abertas e fechadas, e então, a voz dela. Da mulher. Não ouvi a voz dele, entretanto. Talvez ele não tenha vindo, eu pensei. Mas eles demoravam. E eu ainda escutava a voz dela. Então mais barulho de portas se abrindo e fechando, carro ligando, carro partindo.
Meu tio sobe e me diz que ele não quis me ver, simplesmente. Lhe perguntei se ele contou a ele. Sim, ele contou. E ainda assim não quis me ver. Mandou dizer que era só arranjar os documentos que ele assinaria. Mas os documentos já estão prontos!, eu explodi, minha voz embargada. Eu me sentia humilhada, envergonhada. Ele não havia dito que não tinha problema nenhum comigo? E agora ele não quer me ver? Há pouco tempo ele não precisou de mim, não precisou de um número meu, não me chamou de filha então, pra simplesmente dizer que não quer me ver? 
Meu coração doeu muito nesse dia, e não num sentido figurado. Meu peito doía tanto que silenciosamente me perguntava se acabaria ali. Seria tão conveniente, não é mesmo? Sabe, agora que eu sei que não tenho problemas cardíacos (fiz um ecocardiograma  ultrassom do coração  hoje), estou começando a acreditar e me pergunto se é possível um coração ser partido tantas vezes, ser tão esmigalhado, que a dor se torne real.
A parte boa de tudo isso é que acabou a palhaçada. Meu tio agora não mais tenta enfeitar, dizendo que o povo de lá não se importa conosco, que não perguntam, que não falam de nós, que ignoram nossa existência. Ele depois, irritado, esbravejava que a esposa de meu progenitor não gosta de ninguém, e que eles todos querem nos foder, entre outras coisas. Isso? Isso foi bom.
Tirei também uma lição pra mim. Nesses anos todos tentei ao máximo me abster, tentei correr atrás dele algumas vezes. Procurava em minha cabeça ações, palavras, qualquer coisa que me fizesse acreditar que ele me amava, que estava sendo controlado de alguma forma, mas não, agora eu sei. Ele está exatamente aonde quer estar.