Existem várias histórias sobre pessoas que se conheceram virtualmente e viraram amigas para sempre instantaneamente - algumas que acabaram, outras que realmente ainda duram. A história que eu vou contar não começa assim.
Luisa e eu nos conhecemos em alguma parte do início de 2008, graças a uma bandinha que estava começando a explodir na época. Ainda era tempo do (não tão) glorioso Orkut e do MSN (In Memoriam), e nós frequentávamos a comunidade oficial brasileira da dita banda. Não faço ideia de como acabamos por reunir treze garotas numa conversa de MSN, mas tal ato foi realizado e essas treze garotas viraram as Jo'Girls. As J'G em sua formação duraram apenas aquele dia da formação, tendo em vista que uma das garotas nunca mais foi vista... Mas eu e as outras garotas conversávamos constantemente. A Luisa estava lá, mas não nos conectamos imediatamente. De fato, se alguma coisa, nós ignorávamos uma a outra. Esnobávamos uma a outra, arrisco dizer. Mas não era por maldade! Eu a achava muito legal, no entanto achava que ela não gostava de mim.
Com doze garotas é impossível dizer que todas eram amigas iguais. Algumas amizades mais fortes iam se formando separadamente, gêmeas foram sendo encontradas – inclusive eu tive a minha. E não era a Lulis.
Mas aí então um dia... Também não sei o que aconteceu naquele dia. Numa conversa eu e ela simplesmente nos falamos e “resolvemos nossas diferenças”. Acontece que não havia diferença alguma. Havia uma admiração mútua, um medo mútuo e ambas achava que uma não gostava da outra. Aí sim começa a história de uma amizade que dura até hoje.
Das antigas Jo'Girls ainda mantenho contato com apenas a metade. Algumas converso mais, outras menos, algumas vamos vivendo num mundo de curtir a publicação da outra. Mas com a Lulis nada mudou. E acontece que hoje é aniversário dela. Nos conhecemos quando eu tinha 13 anos e ela 14, e agora aqui estou eu escrevendo sobre nós no dia em que ela completa 21 anos. Wow.
2014 tem sido um ano bacaninha até. Vai ter a primeira parte de Mockingjay, teve Capitão América: Soldado Invernal e eu conheci o amor da minha vida (Sebastian ♥), teve TFIOS, Divergente, Guardiões da Galáxia, terá também o último filme da trilogia do Hobbit... Bom, a minha vida não se deve apenas a contentamento literário e de filmes! Acontece também que meu time está ótimo no Campeonato Brasileiro e a Copa foi incrível. Tá bom. Tá bom... Uma das coisas que tornou esse ano bastante especial foi o fato de que Lulis e eu nos conhecemos em pessoa!
Foi engraçado. Em abril pensamos o quão longe o finalzinho de maio estava, mas então de repente maio chegou e ao se preparar pra ir embora a trouxe, e mais ainda sem perceber quase três meses se passaram desde que ela esteve aqui. Outra coisa engraçada é que achavam que éramos parentes (“Quem é essa?” “Essa é a Luisa, a prima da Tuti”), outros viviam sempre apontando nossas similaridades e acabávamos combinando várias coisas que, bom, não havíamos combinado. Como quando fomos à Feira Hippie no domingo e ambas compraram saias iguais, sendo que cada uma foi para um lado da barraca. A única diferença entre as saias eram botões e uma fenda – que a minha não tinha.
Ah! Lembrei de mais uma realização por parte do cinema: teve também X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido. Mas esse aí nós assistimos juntas.
O tempo que ela ficou aqui pareceu pouco e muito ao mesmo tempo. Eu arranjei tanta coisa pra fazermos que pareceu que o tempo de nove dias foi maior... E ainda não vimos nem metade do que eu queria ter mostrado!
Agora talvez seja mais fácil nos encostrarmos novamente, eu espero. Ir pra São Paulo deve ser mais fácil do que ir pra Jaraguá... Eu espero. E agora vou pra parte dos parabéns: Feliz aniversário enfim! Digo enfim porque demorei séculos até chegar no que talvez diria ter dito em primeiro lugar, mas vou tentar parar a verborreia antes que comece totalmente (de novo). Sis, agora você deu o primeiro e o segundo passo na direção do seu sonho. Foi difícil e eu te admiro muito por tê-lo feito, e espero que sempre se lembre do que eu te disse: eu acredito em você. Afinal, preciso de alguém pra bancar o Cupido entre o Sebastian e eu, né? HAHAHAHAHAHAHA. Você é incrível e merece o melhor, de verdade!
Com amor, da sua sis desnaturada,
Tu.
sábado, 9 de agosto de 2014
terça-feira, 22 de julho de 2014
Granada
Ontem eu assisti A Culpa É Das Estrelas pela segunda vez e preciso dizer que estou levemente fragilizada, haha. Acho interessante que eu tenha me lembrado exatamente do dia em que eu vi o livro pela primeira vez e o comprei, não fazendo ideia do que se tratava realmente. Vi a capa azul – cujo tom, diga-se de passagem, é um dos meus favoritos – e o título e achei legal. Li o que estava escrito no fundo e achei promissor. Quando cheguei em casa e comecei a ler, logo nas 20 primeiras páginas eu já estava me desmanchando em lágrimas. Basicamente chorei o livro inteiro, várias vezes de soluçar mesmo. Não é segredo que depois da morte do meu tio eu me tornei muito mais sensível em relação a morte e para com aqueles que veem alguém querido morrendo. Então realmente não é segredo algum que eu senti, e senti muito, este livro (e, eventualmente, filme). Uma coisa que eu não aguento é quando dizem “é só um livro/filme!” ou “eu não chorei nem nada porque eu sei que não é verdade”. E precisa? Pra quem passou por isso, pra quem entende, pra quem já perdeu alguém, independente de ser verdade, mentira; você sente. Você entende. E você sofre por isso.
Uma coisa que penso desde quando li o livro e todas as vezes que era mencionado é quando Hazel diz que é uma granada. Ela clama que um dia explodirá e destruirá tudo ao seu redor, então acha que é seu dever diminuir o dano o tanto quanto possível. Mas o que me vem a cabeça desde a primeira vez é: e não somos todos? Digo, não somos todos granadas? Pelo menos todos que amamos e somos amados? Pra mim, não somos exatamente granadas. Pode-se ver como se fôssemos bombas, com pavios – ou, se preferir, trilhas de pólvora – de diferentes tamanhos. Morrer não é um privilégio do câncer. Não é como se fôssemos seres imortais cuja única fraqueza, única forma de perecer é quando o corpo desenvolve a doença. Um dia todos cairemos. E como eu falei em relação a bombas e pavios, alguns tem pavios ou trilhas bem longas, outros tem mais curtas, outros as tem encurtadas. Mas o negócio é que todas estão acesas. Não nascemos e começamos a viver, nós nascemos e começamos a morrer. Pode soar muito mórbido, mas é assim... Estamos sujeitos à morte a todo momento. Esteja você doente ou não.
Somos todos bombas porque quando explodirmos machucaremos quem ficar para trás. Não há como evitar, você ferirá e será ferido. Seja fictícia ou não, fico satisfeita que, no fim, Hazel parece ter percebido isso. Até mesmo eu, que ao ler também havia me identificado com a granada – mesmo com meu tumor benigno já ter sido extraído há algum tempo (por falar nisso, dia 31 de julho completará 5 anos desde a minha cirurgia! Eeeee!).
Ainda doi. E muito. Mas esse é o problema da dor, ela precisa ser sentida.
Uma coisa que penso desde quando li o livro e todas as vezes que era mencionado é quando Hazel diz que é uma granada. Ela clama que um dia explodirá e destruirá tudo ao seu redor, então acha que é seu dever diminuir o dano o tanto quanto possível. Mas o que me vem a cabeça desde a primeira vez é: e não somos todos? Digo, não somos todos granadas? Pelo menos todos que amamos e somos amados? Pra mim, não somos exatamente granadas. Pode-se ver como se fôssemos bombas, com pavios – ou, se preferir, trilhas de pólvora – de diferentes tamanhos. Morrer não é um privilégio do câncer. Não é como se fôssemos seres imortais cuja única fraqueza, única forma de perecer é quando o corpo desenvolve a doença. Um dia todos cairemos. E como eu falei em relação a bombas e pavios, alguns tem pavios ou trilhas bem longas, outros tem mais curtas, outros as tem encurtadas. Mas o negócio é que todas estão acesas. Não nascemos e começamos a viver, nós nascemos e começamos a morrer. Pode soar muito mórbido, mas é assim... Estamos sujeitos à morte a todo momento. Esteja você doente ou não.
Somos todos bombas porque quando explodirmos machucaremos quem ficar para trás. Não há como evitar, você ferirá e será ferido. Seja fictícia ou não, fico satisfeita que, no fim, Hazel parece ter percebido isso. Até mesmo eu, que ao ler também havia me identificado com a granada – mesmo com meu tumor benigno já ter sido extraído há algum tempo (por falar nisso, dia 31 de julho completará 5 anos desde a minha cirurgia! Eeeee!).
Ainda doi. E muito. Mas esse é o problema da dor, ela precisa ser sentida.
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sexta-feira, 9 de maio de 2014
Longe
Na maioria do tempo eu tenho o sentimento esquisito de que eu estou longe, ou de que eu não estou realmente aqui. Como se eu estivesse uma cena em que eu não estou participando ativamente, uma tela, um filme, e eu estou apenas assistindo. Veja bem: não estou falando por metáforas (sei que as uso bastante), dessa vez é algo... real? Digo, o que é real? Às vezes coisas que eu sonho parecem mais verdadeiras do que eu vivencio. Sinto que o que estou escrevendo é confuso e admito, completamente frustrada, que não está saindo de forma alguma como eu imaginei e tentei planejar. Tenho pensado nesse post há dias, será que se o tivesse feito antes, ele teria saído melhor? Oh, bem. O negócio é que eu sou uma grande expectadora. Acho que passei e passo tanto tempo apenas assistindo que agora eu realmente me sinto que não estou ali. Mesmo que as atenções estejam em mim, nos momentos em que essa coisa toma conta, parece que não sou eu. Apenas observo, assisto, vejo, sem nunca sentir.
terça-feira, 29 de abril de 2014
Desespero
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| Fonte. |
— J. R. R. Tolkien.
terça-feira, 25 de março de 2014
20
Meu aniversário chegou e foi embora da mesma forma: sem animação, sem alarde, sem sentimento. Agora eu tenho 20 anos. Caramba. Agora eu tenho 20 anos e o medo de chegar mais além na minha vida sem ter feito nada consistente apenas aumenta. Algum dia isso melhora? Porque meus exemplos mais próximos querem me dizer que sim, mas eu sei que, por dentro, eles gritam que não. Eu consigo ver através deles, conheço suas lutas. E mais uma vez me pergunto se eu deveria vê-las. Se deveria reconhecê-las por travá-las também dentro de mim. 20 anos, jovem demais para senti-las. Jovem demais para tê-las visto. Jovem demais, sim, mas tente dizer isso para as coisas que senti. Tente dizer para as coisas que vi. Tente dizer. Tente.
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